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Lingerie de luxo
Marcas brasileiras investem no mercado de underwear incentivadas por uma consumidora especializada e ávida pelo prazer do único
A ênfase na feminilidade criou contexto ideal para a valorização de um tipo diferente de lingerie. Longe das quantidades de massa produzidas pelas grandes confecções do setor, pequenas marcas conquistam consumidoras que buscam uma sedução mais inteligente e sutil.
Neste novíssimo segmento, o diferencial começa pela cartela inusitada de cores, passa pela diferenciada padronagem, pela modelagem menos óbvia, por materiais alternativos e pequenas delicadezas de acabamento. "Seu mistério tem a ver com a sensualidade do momento", diz Paula Raia sobre a linha de lingerie de sua marca, a Raia de Goeye.
O olhar retrô e a preocupação com o conforto nas proporções são idéias marcantes. "A cliente queria soluções de sutiã para usar com os tops da coleção. Enxergamos aí uma nova oportunidade", explica Natalie Klein, estilista e proprietária da NK Store, que há um ano lançou linha própria, com muitas sedas e rendas. Aqui a alcinha, colorida, pode até aparecer que não fica feio nem vulgar. No último Dia dos Namorados, a loja customizou calçolas de cetim e peças com os nomes dos namorados das clientes, sob encomenda. Foi um sucesso.
A extensa linha Daslu Íntimo também nasceu de um desejo das clientes de combinar underwear com a roupa -"nos mesmo materiais e cores", completa Maná Soares, coordenadora de estilo. A linha vai do simples, do branquinho de algodão, até o superglam. "É uma lingerie com toque gostoso, para quem quer se cuidar, se curtir", diz.
Como consumidoras especializadas, as cariocas Mariana Lima, Angela Chinelli e Danielle Rabelo perceberam que "se a peça era bonita, não era prática e vice-e-versa", conta Mariana, que morava fora do Brasil e, de volta, sentiu dificuldade para encontrar uma lingerie "confortável com atitude". Depois de pesquisar o mercado, há três anos lançaram a Verve, que tem o tule em diferentes cores como marca registrada.
As marcas do Planeta Fashion saem na frente das experimentações, abrindo novos caminhos, como a Agent Provocateur, a Coco-de-Mer, Sabbia Rosa e mesmo a Calvin Klein, que inaugurou loja na Oscar Freire. E é possível dizer que foi a Prada que plantou a semente da paixão fashion pelo underwear, ao lançar, em 1998, uma refinada e discreta linha que dialogava com as peças da coleção.
De olhos nessas tendências internacionais, as irmãs Gisele Rossi e Simone Maria comandam há dez anos a Miss Victtoria. "A mentalidade tem mudado muito. Antes a mulher brasileira tinha uma cultura de dormir de camiseta e calcinha", revela Gisele. "Mas depois de tantas conquistas no campo profissional, ela está precisando e quer resgatar a feminilidade, o lado romântico e sexy", afirma. Há um ano, as sócias perceberam uma inversão: os homens passaram a comprar calcinhas e sutiãs para suas namoradas.
Atuando há quatro anos no varejo de lingerie, a marca paulistana Universo Íntimo tem suas peças distribuídas no mercado brasileiro pela DuLoren. Depois de um ano e meio de pesquisas criou sua segunda linha, a Nu.Luxe, que mesmo lançada há apenas quatro meses já está fazendo sucesso. Seu diferencial está na padronagem e nas cores (tie-dye, vermelho-cereja e pele-rosê) e no criativo mix de materiais e detalhes (babados, rendas e cristais).
Segundo o empresário Gabriel Margulies, o foco é na mulher que gosta de novas experiências. "Ela quer se sentir bem, a começar pela lingerie".
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texto e edição de moda
Manu Carvalho
fotos Marcio Simch
beleza Theo Carias
modelo Mauara (Elite)
produção Guta Raeder e Teca Heine