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Para onde vão as tendências
Especialistas explicam por que exatamente os homens devem comprar roupas novas a cada estação
As mudanças do guarda-roupa formal masculino acontecem de modo mais lento do que no feminino. E seu consumidor, em geral, é menos suscetível aos caprichos da moda e nada afeito a extravagâncias. Acha que o trio calça-paletó-camisa não oferece nenhum tipo de chance de erro e custa a entender por que exatamente deveria comprar roupas novas quando as suas ainda estão "em ordem".
"Os homens preferem investir numa roupa social que dure bastante e que seja resistente aos modismos porque eles a usam várias vezes seguidas", explica a especialista Lu Pimenta, coordenadora da Daslu Homem e dona da marca Tweed.
As alterações, quase sempre discretas, se dão nos colarinhos e nas proporções, por exemplo (veja na página ao lado). Vai daí que uma peça pode ficar datada sem que se perceba.
Para Francis Petrucci, diretora de estilo da VR Menswear, a vida útil de uma roupa deve ser, no máximo, três estações. "Sendo clássico ou mais moderno, o homem precisa mudar: assim a vida fica mais divertida", garante.
"A cada temporada lanço até dois novos colarinhos, mas mantenho sempre um mais clássico, renovando cores e padronagens", revela Ricardo Almeida, que vê nas mudanças a chave para o que chama de "existência da moda".
Roupas e ternos sob medida continuam em alta. O famoso alfaiate Severo, por exemplo, está no mercado há 50 anos. Os clientes que o procuram são mais conservadores. "Terno caro não é para um dia; os meus são feitos para durar 20 anos", afirma. "A base é uma só e os ajustes são feitos no corpo."
"Com terno não tem o que brincar; pode ser mais seco ou mais largo, mas o caimento tem que ser perfeito", diz o empresário André Szajman, habituê do segmento. Sua alternativa para não parecer careta foi modernizar a cabeça do alfaiate: "Pedi umas mudanças que ele nunca tinha pensado em fazer. Deu certo". Outro entusiasta da roupa sob medida é o publicitário Drausio Gragnani. "Há uma magia da alfaiataria que está sendo reinventada em marcas autorais. É prêt-à-porter, mas feito para você. O tom de exclusividade se dá na pequena quantidade de peças produzidas."
São os jovens quem mais incentivam o consumo das tendências. "Eles são ligados ao visual do grupo. Criar algo adequado ao 'clã' a que pertencem facilita o lançamento de novas idéias", diz Lu Pimenta. Nesse segmento, é a música o ponto de partida para as revoluções: "É um universo com menos preconceitos", declara Vitor Santos, da V.Rom.
Para o livre exercício do vestir, a queda de alguns dogmas pode permitir que os homens brasileiros consumam moda sem problemas. Ricardo Almeida diz que tem gostado de trabalhar com estampas para renovar a camisaria tradicional. Aposta na força do marketing para convencer o cliente a se arriscar em novidades. Usou celebridades como Raul Cortez, Seu Jorge e Paulo Vilhena na passarela de seu verão 2006 para sugerir os sempre polêmicos tons claros (cinza, gelo e pérola) nos looks mais bacanas da coleção.
Ainda em relação às cores, Lu Pimenta diz que o mercado já adotou opções tidas como "femininas": "O cor-de-rosa não mete mais medo".
texto Jackson Araujo e André do Val
fotos Folha Imagem e Silvia Boriello