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Fofinha da mamãe
Grifes investem em linhas infantis já que seus fiéis clientes (pais e mães) são os principais compradores
Não é de hoje que o mundo infantil invade a moda e vice-versa. Com uma indústria que cresce de maneira avassaladora, a cada estação, e mamães fashionistas que dão à luz a bebês celebridades, nada mais óbvio para o mercado do que investir nesse nicho. Afinal, quem veste Chlóe, Diesel e D&G não vai resistir a uma versão mini para seu filhote.
E que gracinha uma menina de dois aninhos fica vestindo um casaco Marni! Mini-Marni significa que a mãe veste Marni. Até uma certa idade o casaco é uma expressão –e uma extensão– dos gostos da mãe. Muita gente acha que é fofo vestir uma criança como miniadulta e muitas mães não vêem problema em vestí-las com marcas caras, afinal a criança ainda é tão pequena que não tem noção desse universo (ainda). Mas a gente tem. E o fenômeno ganhou força com os kidults –isto é, pessoas aficionadas por brinquedos e outros itens de consumo inspirados no universo lúdico-infantil, especialmente desenvolvidos para adultos –e a falta de opções criativas e diferenciadas no mercado.
De um lado, estilistas de grandes grifes nacionais e internacionais passaram a lançar linhas para crianças ligadas às marcas-mães. De outro, ex-profissionais da área criaram marcas infantis próprias, duplamente estimulados pela experiência como pais e pelos conhecimentos adquiridos no mercado fashion. O que essas coleções têm em comum são conceitos emprestados das passarelas adultas, como exclusividade, customização, cartelas de cor e estampas especiais e até um gosto pelo vintage. Além, claro, de um apelo imbatível: consumidores jovens, hoje no papel de pais, fazem parte da geração de kidults.
A iniciativa veio do exterior com marcas dos sonhos como as já citadas e mais recentemente Little Marc de Marc Jacobs e The English Roses, da cantora Madonna. O sucesso das linhas, apesar de preços de gente grande, é enorme. No Brasil, motivações parecidas contribuíram para algumas criações como a Ronaldo Fraga para Filhotes, marca do estilista mineiro para 0 a 10 anos. “O desejo é antigo, mas acabei tomando a iniciativa com o nascimento do meu primeiro filho, em 2001”, conta ele. Segundo ele, o destaque são as estampas bem-humoradas que dão cara à roupa. “O vestir se torna um estímulo à construção da identidade e à percepção da própria personalidade”, afirma.
Já Ricardo Almeida, cuja marca de moda masculina é usada por nove entre dez celebridades, ressentia-se de peças de qualidade para meninos. Foi também com o nascimento do primogênito que começou a fazer roupas para seu filho e de seus amigos, como Edson Celulari e Fábio Assunção. Estimulado pela mulher Agatha Félix que assumiu a coordenação, a linha infantil nasceu em 2005 com o propósito de vestir “homenzinhos chiques”. “A inspiração vem da marca-mãe mas fazemos adaptações como a inclusão de bermudas, que não estão presentes na coleção adulta, no repertório infantil”, diz Agatha. “Nosso objetivo não é vestir pequenos adultos, mas sim estimular o exercício do estilo”, acrescenta.
Seguindo a mesma linha das peças de Vera Arruda, uma coleção infantil será lançada no final do mês. A idéia de fazer a coleção já era antiga, uma vez que Vera desenhava as roupas da filha Maria João. É tudo super feminino, com vestidos coloridos e estampas de cachorrinhos, de galinhas e outros bichinhos, além de florais, bandanas. E terá roupa para bebês também.
Do outro lado da cruzada estão marcas exclusivamente infantis como a Miniature, cujo trabalho é focado em looks customizados e coordenáveis para meninas e meninos de 0 a 14 anos. “A maioria das marcas só oferece conjuntinhos, que são como uniformes. Meu objetivo era apresentar uma moda que segue tendências, com peças ex- clusivas, customizadas e pouca numeração, para que as crianças não se vistam todas iguais”, explica Lúcia Milan, mãe e coordenadora da marca.
O vintage é também o negócio da Petit Retro, criada por Luciana Schiller em parceria com as francesas Tinou Senoville e Valerie Roubaud, que conheceu no bureau de tendências Promostyl, na França. Do desejo de pôr em prática as inúmeras pesquisas de moda que realizavam, nasceu a marca, inspirada em brechós, tecidos raros, livros de arte e histórias infantis. “Nossas coleções surgem de temas que enfocam diferentes momentos de vida das crianças, sempre com cores e estampas exclusivas”, diz Luciana.
Apostando no humor para a criação de bodies, t-shirts e vestidinhos espertos para crianças de 0 a 6 anos, a Santa Paciência é outro nome, que surgiu em 2003, criada por Cristiane Miranda e Tatyana Takasse, ambas estilistas egressas do mundo fashion adulto. “A preocupação é fazer uma moda infantil interessante, por isso usamos nossa experiência profissional para criar coisas legais”, conta Cris. Camisetas com frases criadas pela estilista Rita Wainer, da Theodora, são sucesso absoluto na loja com dizeres atrevidos como “100% desobediente” e “Little Miss Drama”. Até bazares com megadescontos de até 70% fazem parte da lógica fashion da grife. Afinal estamos no território da moda. São direitos iguais para grandes e pequenos.
por Camila Moraes
fotos Silvia Boriello e Reprodução
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