Brasil
12/08/2006

Candidatos - Governador - São Paulo - José Serra

Raimundo Pacco/Folha Imagem
Nome: José Serra
Nascimento: 19/03/1942, em São Paulo (SP)
Profissão: economista. Curso incompleto de engenharia civil na USP; mestre em economia pela Universidade do Chile e doutor em economia pela Cornell University (EUA)
Estado civil: Casado com Silvia Mônica Allende Serra
Filhos: Verônica, 36, e Luciano, 33
Partido: PSDB
Calculista, estrategista, egocêntrico e atrasado. José Serra, 64, assume todos estes adjetivos sem melindres. "Sou pessimista na análise e otimista na ação", define o tucano. O egocentrismo é atribuído ao fato de Serra, invariavelmente, acreditar e defender sua opiniões e posições de forma contumaz.

O estrategismo o leva a demorar semanas, quando não meses, para tomar uma decisão, dizem os amigos próximos. Mas isso quando ela remete a algo inesperado, como se transformar em ministro da Saúde ou deixar a prefeitura de São Paulo para se lançar candidato a governador. Se as alternativas fossem ministro da Fazenda e candidato a presidente, talvez a decisão fosse mais rápida. Já a fama de atrasado se deve à impontualidade que ele não consegue evitar.

O primeiro grande atraso público da vida de Serra, aliás, ocorreu no início da militância política, em 23 de agosto de 1963, quando era líder estudantil da UNE. Aos 21 anos, recém-eleito presidente da entidade, Serra discursava no palanque montado na Cinelândia, no Rio, em homenagem a Getúlio Vargas, morto nove anos antes.

A noite, porém, deveria ser apoteótica para o presidente João Goulart, mas Serra roubou a cena. Um dos dez oradores convidados, ele deveria se limitar a radicalizar a retórica em favor das reformas de base, a principal bandeira do governo. O objetivo era apoiar um governo populista que estava sob pressão da direita.

No entanto, de forma natural, como temia-se à época que Jango fizesse intervenção no Estado de São Paulo, Serra começou a atacar a idéia. Além de ser mais aplaudido do que Jango, segundo consta em sua ficha no Dops, o estudante falou num dos pontos altos do comício --ele deveria ter falado no início do ato, mas chegou atrasado.

Com tal currículo, o então presidente da UNE foi perseguido pelo regime militar de 1964. Serra levou o susto no Rio, no alojamento da entidade em que morava. Filho único de imigrantes italianos que moravam na Mooca, ele não tinha amigos no Estado. Foi ajudado por seu vice na UNE, Marcello Cerqueira, que o escondeu na casa de um médico. Após algum tempo na clandestinidade, conseguiu chegar à Embaixada da Bolívia, onde ficou por três meses, e de lá partiu para 14 anos de exílio, período que marcou sua formação pessoal e intelectual.

Serra passou pela França, mas permaneceu a maior parte do tempo no Chile e nos Estados Unidos. No exterior, após ter sido impedido de concluir o curso de engenharia que iniciara na Politécnica, se estabeleceu de vez na área econômica.

No Chile fez seu mestrado na Escolatina (Escola de Pós-Graduação em Economia da Universidade do Chile) e deu aula de matemática para economistas em um órgão da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe), da ONU. Foi no Chile que Serra trabalhou ao lado do sociólogo Fernando Henrique Cardoso.

Foi no Chile, também, que Serra conheceu sua mulher, a então bailarina Sílvia Mônica Allende, e teve seus dois filhos, Verônica e Luciano. Em 1973, com o golpe do general Pinochet, a família toda seguiu para os EUA. Nas universidades de Cornell e Princeton, Serra continuou seu estudo acadêmico (concluiu o doutorado) e se aproximou mais ainda de Fernando Henrique.

Retorno ano Brasil

Serra voltou ao Brasil em 1978, antes da anistia concedida no ano seguinte aos exilados, com um perfil bem mais moderado do que o estudante dos anos 60. Antes de tornar-se professor na Unicamp (Universidade de Campinas), tentou se eleger deputado pelo MDB, mas teve a candidatura impugnada.

Enquanto lecionava, se engajou na coordenação da campanha de FHC ao Senado. Serra iniciou sua vida política, de fato, como secretário de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo, em 1983, durante o governo Franco Montoro (1983-1987). Três anos depois, foi eleito deputado federal e, em 1990, reeleito.

Na Assembléia Constituinte, foi autor do artigo que determinou a realização de um plebiscito sobre qual regime de governo o país seguiria (presidencialismo, parlamentarismo ou monarquia) e da emenda que criou a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). No mandato seguinte, o institui o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), que ajudou a viabilizar o seguro-desemprego. Cercado de assessores de peso, como Pedro Parente, que depois virou ministro-chefe da Casa Civil, e Andrea Calabi, posteriormente presidente do BNDES, se transformou no deputado mais produtivo: 130 emendas aprovadas das mais de 200 apresentadas.

Em 1994, foi eleito senador com 6,5 milhões de votos. No ano seguinte, porém, deixou o cargo para integrar a equipe do então presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Foi ministro do Planejamento de 1995 a 1996 e deixou a pasta para concorrer, relutante, à Prefeitura de São Paulo --ficou atrás de Celso Pitta e Luiza Erundina.

Voltou ao governo em 1998 como ministro da Saúde, cargo ocupado até fevereiro de 2002. Naquele ano, disputou a presidência da República, quando perdeu para o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 2004, levou pela primeira vez o PSDB à Prefeitura de São Paulo, vencendo Marta Suplicy (PT), que tentava a reeleição.

Desde os primeiros anos de vida política, apesar de sempre estar cercado dos melhores especialistas e assessores, Serra assumiu um papel centralizador. Um de seus "métodos" de trabalho é mandar a colegas e subordinados bilhetinhos manuscritos com orientações, críticas ou tarefas. Até jornalistas já os receberam, com comentário sobre informação ou reportagem publicada a seu respeito.

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