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01/01/2001 - 12h04

Anônimos viram personagens maiores na festa da São Silvestre

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FERNANDO CAMINATI
da Folha Online

Mais do que simplesmente uma competição esportiva, a São Silvestre é uma festa tradicional no réveillon brasileiro.

"Atletas" de todos os cantos do Brasil viajam para São Paulo para exibir fantasias, fazer homenagens, mostrar o nome de sua cidade ou simplesmente participar da festa que encerra o ano.

Algumas fantasias se repetem ano a ano e já se tornaram figuras carimbadas da festa. Como os super-homens, sennas e as centenas de jogadores de futebol.

Para o índio Cajueiro, 53, da tribo dos Tabajaras, de Serra das Matas (CE), correr na São Silvestre com os trajes festivos de sua tribo, como o cocar, os colares e a pintura tradicional, é uma obrigação.

"Venho para cá há cinco anos, sempre com os trajes originais para homenagear o índio brasileiro", conta Cajueiros.

Já Ásime Mamede Solemã há quatro anos corre vestido com o macacão e o capacete de Ayrton Senna para homenagear o tricampeão de F-1.

"Venho à São Silvestre e também disputo a Maratona de São Paulo, do Rio e a Meia-maratona do Rio", conta Ásime. "Faço isso pelo Ayrton, porque o cara era o melhor e sempre merece a minha homenagem."

Os jogadores de futebol, neste ano, vinham vestidos em sua maioria com camisas do São Caetano, mas também haviam muitos palmeirenses e flamenguistas. Um deles, o goiano Paulo César Miranda Costa, 27, se propunha a atravessar os 15 quilômetros da corrida fazendo embaixadas com uma bola de futebol. "Treinei para melhorar o tempo de 2h23min do ano passado", conta Costa.

Outros como José Rubens Nunes Santos, o Maguilinha, correu com luvas e roupão de boxe para protestar. "Estou fazendo um apelo pelo boxe brasileiro", diz ensaiando golpes no ar. Segundo ele, em 13 anos de carreira nunca conseguiu um patrocínio para poder treinar mais e se destacar. "A gente que é pobre, que mora no Capão Redondo (zona sul de SP), nunca tem chances. O boxe brasileiro está abandonado."

José Maria Guedes, que correu vestido como o personagem Carlitos, de Charlie Chaplin, preferiu protestar por outros motivos. "Ninguém pensa nas coisas boas da vida. É só briga, guerra, morte... Por isso estou vestido de Carlitos, porque Chaplin é a minha vida e ele mostrava como o mundo pode ser bonito."

Para a maioria deles pouco importaria o quanto chegariam atrás de Lydia Cheromei e Paul Tergat, que seriam os campeões da prova. Apenas o gosto de participar da corrida que encerra o ano esportivo brasileiro já é uma festa e uma vitória.

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