Esporte
25/05/2007 - 10h52

Cartola do Botafogo reclama, e CBF afasta a auxiliar Ana Paula

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EDUARDO OHATA
da Folha de S.Paulo
SÉRGIO RANGEL
da Folha de S.Paulo, no Rio

Menos de 12 horas após um cartola do Botafogo ter reclamado da atuação "de uma mulher" como auxiliar de arbitragem no jogo em que o time foi eliminado da Copa do Brasil, a Confederação Brasileira de Futebol puniu Ana Paula Oliveira.

Na manhã de ontem, o presidente da Comissão de Arbitragem da entidade, Edson Rezende, anunciou que a assistente estaria fora de pelo menos três rodadas do Brasileiro.

Quarta-feira, ela anulou dois gols do Botafogo na vitória sobre o Figueirense, por 3 a 1, no Rio. Apesar do resultado, os cariocas ficaram fora da final.

"Dois erros seguidos? Não vejo mulher em Copa. Não vi na decisão da Liga Européia. Não vejo nas decisões mais importantes, mas colocaram uma mulher aqui, contra o Botafogo. Ela assaltou o Botafogo em R$ 2,5 milhões, que seria quanto o clube ganharia por chegar à decisão", declarou o vice-presidente de futebol do clube, Carlos Augusto Montenegro.

O dirigente foi o mais exaltado com a atuação de Ana Paula. "A torcida passou o jogo gritando 'piranha'. Sei que a voz do povo é a voz de Deus. Não acho que ela seja uma pessoa desqualificada, mas ela é totalmente despreparada", afirmou o vice do Botafogo, que ainda sugeriu que a assistente estaria "naqueles dias de mulher".

Segundo o dirigente, a bandeirinha falhou nos dois gols do time anulados no primeiro tempo.

"É muito fácil colocar a culpa na arbitragem. Mas, mesmo com todos os recursos eletrônicos da TV, ainda assim são lances discutíveis. Eu acho que acertei", afirmou Ana Paula à reportagem. "Montenegro errou, eu não estava naqueles dias. Mas acho absurdo ele colocar as coisas nesses termos e vou estudar o que fazer", acrescentou ela.

"O primeiro lance é objeto de interpretação. O segundo tem a ver com uma regra que fala sobre a interferência do adversário, coisa que pouca gente conhece", completou Ana Paula.

Rezende disse que afastou a auxiliar para "preservá-la". Disse que ela errou no primeiro lance. "Não podemos aceitar o erro. Eles [juízes e auxiliares] têm que sentir que não estamos aceitando", disse o dirigente, que defendeu as mulheres na arbitragem. "Os erros dela são mínimos, mas pesa quando o erro como o de ontem [quarta-feira] influencia o resultado."

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