Em evento de R$ 3,7 bi, Brasil tem no Rio seu melhor desempenho na história
JOSÉ RICARDO LEITE
CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio
Evento que custou R$ 3,7 bilhões, quase 800% a mais que o previsto em 2002, sendo que R$ 1,8 bilhão vieram do governo federal, os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro transcorreram sem grandes percalços --exceção feita aos vários problemas na Cidade do Rock-- e terminaram neste domingo com o Brasil alcançando seu melhor desempenho na história, com recorde de medalhas de ouro e de pódios.
Os brasileiros foram ao lugar mais alto do pódio 54 vezes e ainda contabilizaram 40 pratas e 67 bronzes, totalizando 161 pódios. Até hoje, o melhor desempenho havia ocorrido em Santo Domingo 2003, quando o país recebeu 123 premiações (29 ouros, 40 pratas e 54 bronzes).
Com o desempenho, o Brasil ficou em terceiro lugar no quadro de medalhas, feito que não conseguia desde Winnipeg-1967. O país ficou atrás do EUA, com 97 ouros, e muito perto de Cuba, que teve apenas cinco ouros a mais, com 59. O Canadá, que normalmente ficava à frente dos brasileiros, terminou em quarto, com 39 ouros.
O principal destaque brasileiro nos Jogos foi o nadador Thiago Pereira, que conquistou seis medalhas de ouro e foi ao pódio oito vezes no total.
O brasileiro venceu as provas dos 200 m e 400 m medley, 200 m costas, 200 m peito e os revezamentos 4 x 200 m livre e 4 x 100 m livre, em que não competiu na final, apenas nas semifinais. Nos 100 m costas ficou com o bronze. Thiago ainda ajudou a equipe nacional a ganhar a prata no 4 x 100 m medley.
Outro destaque individual foi Hugo Hoyama, que conseguiu o ouro por equipes e se tornou o maior vencedor do país em Pans, com nove medalhas douradas, deixando para trás o nadador Gustavo Borges, que tem oito.
No atletismo, o país bateu seu recorde de medalhas, com 23 pódios --nove ouros, cinco pratas e nove bronzes. Os principais destaques foram Fabiana Murer, ouro no salto com vara, e Jadel Gregório, vencedor no salto triplo.
O judô, que tradicionalmente impulsiona o Brasil no quadro de medalhas, conseguiu ir ao pódio em 13 das 14 categorias --somente Flávio Canto, que se machucou, saiu sem medalha. Tiago Camilo, João Derly, Edinanci Silva e Daniele Zangrando levaram ouro, mas o país decaiu em número de primeiros lugares em relação a 2003, quando cinco atletas venceram finais.
Na ginástica, Diego Hypólito e Jade Barbosa brilharam. Diego venceu no solo e no salto sobre a mesa, enquanto Jade foi ouro no salto e prata com a equipe.
Outro esporte que rendeu muitos ouros foi a vela, em que o Brasil foi campeão na RS:X, na J24 e na Snipe. Robert Scheidt, principal estrela da delegação, no entanto, ficou a prata na laser.
Nos esportes coletivos, além do futsal, o Brasil levou o ouro no basquete masculino, no vôlei masculino, no futebol feminino e no handebol (tanto masculino e feminino). Ricardo e Emanuel também subiram ao lugar mais alto do pódio no vôlei de praia.
O bom desempenho brasileiro serviu, segundo o presidente da Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana), Mario Vasquez Raña, para tornar "barato" o alto investimento na competição.
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