Diretoria do Corinthians quer fazer seu estádio para a elite
EDUARDO ARRUDA
PAULO GALDIERI
da Folha de S.Paulo
O Corinthians, considerado o time do "povo", quer construir um estádio. Mas para privilegiar os ricos. Essa é a idéia do presidente do clube, Andrés Sanches, que ficou convencido de que sua agremiação precisa construir uma arena após palestra sobre gestão dada por dirigentes do Barcelona ontem no Parque São Jorge.
"Temos que reservar uma parte pequena para as pessoas mais pobres e o resto para quem pode pagar R$ 200", disse à reportagem o cartola.
Mas como cobrar esse valor das pessoas? "É só você construir lojas, restaurantes, dar conforto", explicou Sanches, que esteve quarta-feira no Morumbi para ver o jogo do Brasil.
"Você viu quanto foi a renda? Vamos construir o nosso, mas não vamos ser motivados pela paixão. Vai ser profissional", afirmou o cartola.
Recentemente, o Corinthians assumiu projeto da Federação Paulista de Futebol para ter um estádio para a Copa-14. O clube informa que essa arena conta com investidores estrangeiros e ficaria próxima à Marginal do Tietê.
Há ainda a arena proposta pelo conselheiro Edgard Soares, que seria construída sem custos para o clube e que, segundo Soares, já tem investidores interessados. Um outro projeto, do conselheiro Edgar Ortiz, herdado da parceria com o HMTF, prevê a construção da arena corintiana em um terreno em Guarulhos.
Soares tem conversado com a atual direção para levar a proposta ao Conselho Deliberativo. Andrés também pode levar as outras duas propostas para análise dos conselheiros.
"Eu era contra estádio. Mas após essa reunião com dirigentes do Barcelona me convenci de que é uma importante fonte de receitas. Todo clube grande deve ter um estádio", disse o presidente corintiano.
"Nós já estamos trabalhando em cima disso e está mais próximo do que todos imaginam. O corintiano vai ficar muito feliz com sua nova casa", afirmou o cartola, que disse ser possível construir a arena, antigo sonho do clube, em três, quatro anos.
"É um estádio se possível para 77 mil pessoas, para homenagear o título paulista de 1977", concluiu.
Além de aguçar a ambição corintiana de ter um estádio, o vice financeiro do Barcelona, Ferran Soriano, e o diretor administrativo do clube, Francisco López, expuseram a conselheiros o projeto que recuperou as finanças da equipe em quatro anos.
Segundo os números apresentados, o Barcelona tinha dívida, em 2003, de 200 milhões de euros, e, neste ano, deve fechar com superávit superior a 300 milhões de euros.
"Barcelona e Corinthians são dois dos maiores clubes do mundo, que têm ativos, têm história. E isso é importante para a recuperação", declarou Soriano.
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