Esporte
23/02/2002 - 20h00

Brasil lidera "invasão dos trópicos" nos Jogos de Inverno

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CRISTIANO CIPRIANO POMBO
TATIANA CUNHA

da Folha de S.Paulo

Com a maior delegação de sua história, o Brasil liderou uma invasão dos trópicos na Olimpíada de Inverno de Salt Lake City, que termina amanhã à noite, nos EUA.

Nunca na história dos Jogos de Inverno tantos países de clima quente estiveram presentes em esportes que só podem ser praticados sobre neve e gelo.

Introduzidos nos Jogos de Inverno pela isolada participação mexicana em Saint Moritz-1928, os países tropicais chegaram a 16,6% dos 78 que competiram em Salt Lake. Ao todo, foram 13 nações, cinco a mais que em Nagano-1998.

"Essa Olimpíada será um marco. É só ver o exemplo do Brasil, que levou sua maior delegação e promoveu a maior divulgação dos Jogos de Inverno que o país já teve", declarou Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB.

Com 11 atletas, disputando competições individuais e coletivas, o Brasil foi o maior representante dos trópicos em Salt Lake, com 27% dos 41 participantes.

Os motivos para a invasão dos países de clima quente vão desde a flexibilização dos critérios de classificação para os Jogos e incentivos dos comitês olímpicos nacionais até simples acasos.

A mudança nas regras, por exemplo, permitiu à brasileira Franziska Becskehazy disputar pela primeira vez o cross country nos Jogos. "Como o Brasil é um país que não tem neve, para garantir minha vaga eu só precisei completar cinco provas, independentemente do meu resultado", disse a esquiadora, que ficou em último nos cinco classificatórios.

Fiji, que formou sua associação de esqui durante uma festa de Ano Novo, enviou um "filho único" a Salt Lake graças a um ato inusitado de seu comitê olímpico nacional, que publicou um anúncio em um jornal, em busca de "um atleta sem medo do frio".

Laurence Thoms, 21, respondeu ao chamado e amanhã estréia nos Jogos, na prova do slalom, tentando escapar das últimas colocações.

Colecionando resultados pífios e ainda sem poder fazer frente às superpotências do gelo, em termos econômicos, tecnológicos e de infra-estrutura, as nações tropicais vêm usando os Jogos para incentivar a formação de atletas.

"Essa participação do Brasil, em massa, ajuda a divulgar o país e fomenta a formação de atletas. Pode esperar essas nações em 2006", disse Eric Maleson, piloto da equipe de bobsled do Brasil.

"Nós não temos inverno no Quênia, mas isso não significa que nós não podemos nos dar bem nos Jogos de Inverno", disse o esquiador Philip Boit, 26, único queniano em Salt Lake e que nunca tinha visto neve até dois anos atrás. "O mundo está mudando."

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