Esporte
26/02/2002 - 10h37

Mau-olhado fez esquiador dopado em Salt Lake sair de equipe alemã

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da Folha de S.Paulo

A vida do esquiador Johann Muehlegg começou a mudar muito antes de ele ser pego no antidoping. A maior das mudanças se iniciou em 1993, quando o esquiador conheceu a faxineira portuguesa Justina Agostinho, vidente nas horas vagas e, depois, em tempo integral para o atleta, que é católico.

No final daquele ano, o maior talento do esqui alemão, duas vezes campeão mundial júnior, vivia má fase. Os resultados não apareciam. Tinha 23 anos e sofria com uma diarréia persistente que não era curada.

Martin, irmão de Muehlegg, o levou ao apartamento de Justina, em Munique. Ela disse que o atleta convivia com alguém que o queria mal _provavelmente seu técnico, Georg Zipfel. Justina também deu a ele água benzida, que acabou com as diarréias de Muehlegg.

A partir daí começou uma longa série de conflitos e situações insólitas. Houve seis anos de brigas com a equipe alemã até a ruptura definitiva.

Muehlegg acusou seu treinador de "mau-olhado". Martin, não vendo solução em manter o irmão na Alemanha, influenciou em sua naturalização como espanhol, em 1999. Pelo novo país, voltou a triunfar.

Justina passou a ocupar lugar importante na vida do atleta. Em grandes torneios, o grupo aluga uma casa e todos viajam, inclusive a vidente e seu marido, que é cozinheiro e mantém Muehlegg bem alimentado.

O problema atual do esquiador, porém, não está na cesta de alimentos nem nas rezas, mas em escolher bem os produtos que compra na farmácia.

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