Esporte
31/12/2007 - 09h28

São Silvestre tem rei do Brasil contra dono do mundo

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FÁBIO GRIJÓ
MARIANA LAJOLO
PAULO COBOS
da Folha de S.Paulo

A prova masculina da 83ª São Silvestre, com largada hoje, às 16h45, na avenida Paulista, será um duelo entre o "Senhor Brasil" e o "Senhor Mundo" nas corridas de fundo do atletismo.

Para ganhar o bicampeonato na prova paulistana e fechar uma temporada em que ganhou tudo de importante no país, como a maratona do Pan, a Volta da Pampulha e a Meia Maratona do Rio, Franck Caldeira, 24, terá que superar o queniano Robert Cheruiyot, 29, que já faturou a São Silvestre duas vezes e acaba de ganhar um prêmio de US$ 500 mil por ter o melhor desempenho nas maratonas mais importantes do mundo.

"Vou correr contra os meus limites, não contra um adversário", diz Caldeira sobre a prova, evitando a pressão de enfrentar Cheruiyot e outros quenianos de primeira linha --todos ausentes no ano passado, quando ganhou a prova com facilidade.

"A falta de quenianos numa prova deixa um branco só para a imprensa. Mas não para nós atletas", fala Caldeira, que exalta a São Silvestre, apesar de a prova pouco acrescentar a seu planejamento. "Para 2008 a São Silvestre não ajuda quase nada porque ela é muito diferente de uma maratona", diz o atleta, lembrando que sua meta para o próximo ano é disputar a mais nobre das corridas de fundo na Olimpíada de Pequim.

Caldeira tem um currículo inexpressivo fora do país. Seu nome não aparece na lista dos melhores tempos do ano nas provas de 15.000 m (a distância da São Silvestre) e meia maratona. Seu desempenho no Pan não o coloca nem entre as cem melhores marcas de maratonistas nesta temporada.

Mas exala confiança no duelo contra Cheruiyot. "Respeito ele, mas vou correr com grandes chances de vencer", afirma o fundista, que não faz como a maioria dos atletas de elite que vão treinar no exterior na altitude --optou por uma cidade mineira para isso.

Vencedor em maratonas famosas, como as de Chicago e Boston, Cheruiyot diz que não foi por dinheiro que voltou ao Brasil. "Aqui comecei minha carreira internacional [em 2001]. O Brasil é como minha casa. Quando ando pela rua, todos me conhecem", afirma o queniano, que ainda lembra do bom tratamento que recebeu na sua primeira vez na São Silvestre, quando passou mal após a prova e foi ao hospital.

O duelo entre Caldeira e Cheruiyot é mais um capítulo da nova São Silvestre. A corrida virou um duelo quase que exclusivo entre brasileiros e quenianos --além deles, a organização anuncia a presença apenas de alguns sul-americanos. Os dois países venceram 14 das últimas 15 edições da prova masculina.

 

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