Jovem recordista mundial é trunfo do Quênia para manter seu domínio
PAULO COBOS
da Folha de S.Paulo
Não foi só com o agora tricampeão Robert Cheruiyot e Alice Timbilili, na São Silvestre paulistana, que o Quênia venceu provas famosas de atletismo na virada do ano. Competidores do país africano, que na lista das 50 melhores marcas das provas de fundo do atletismo ocupam mais da metade dos lugares, venceram corridas no México, na Espanha e na Itália no último dia de 2007 e no primeiro de 2008.
E o domínio queniano nas provas de ruas, coqueluche atual do atletismo no planeta, deve engordar nos próximos anos graças à aparição de um fenômeno que acaba de completar 21 anos. Com essa idade, Samuel Wanjiru tem hoje marcas mais expressivas do que Robert Cheruiyot teve em qualquer fase de sua carreira.
Wanjiru é o recordista mundial da meia-maratona --nenhum dos atuais detentores das melhores marcas do atletismo é tão jovem quanto ele. Tem ainda dois dos três melhores tempos na distância de 15 quilômetros, justamente o percurso da São Silvestre.
Quando resolveu encarar uma maratona, depois de muita disputa de organizadores por isso --Nova York tentou mas não conseguiu concretizar a sua presença--, teve grande sucesso instantâneo.
Em Fukuoka, no Japão, foi o primeiro colocado em sua estréia na distância. Seu tempo, 2h06min39s, foi o terceiro melhor da temporada, o segundo mais rápido de um estreante na prova na história e suficiente para colocá-lo na lista dos 30 melhores de todos os tempos.
A precocidade de Wanjiru impressiona mais por acontecer em corridas em que geralmente os atletas atingem o auge bem mais velhos.
O etíope Haile Gebrselassie bateu o atual recorde mundial da maratona quando já tinha 34 anos. Paul Tergat, outra lenda do atletismo queniano, cinco vezes campeão da São Silvestre e ídolo de Wanjiru, fez sua melhor marca na maratona quando também tinha 34.
Wanjiru começou a correr com apenas 15 anos. Ele vem de uma família de atletas. Sua mãe era fundista, e um primo chegou a ganhar a importante Maratona de Berlim. Em 2002, venceu uma seletiva organizada para levar quenianos para estudar e treinar no Japão. Desde então vive lá e corre por uma equipe local.
Tem um salário fixo, mas sofre com a legislação japonesa, que exige que estrangeiros que competem por equipes locais passem pelo menos 180 dias por ano no país.
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