Esporte
20/01/2008 - 08h00

Morto há exatos 25 anos, Garrincha foi sinônimo de futebol arte

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da Folha Online

Se jogasse futebol hoje, Garrincha provavelmente sofreria acusações de que estaria desrespeitando os adversários. Morto há exatos 25 anos, Manoel dos Santos, o Mané Garrincha, fazia exatamente isso: colocava o drible como objetivo maior no futebol, à frente até mesmo do gol.

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Garrincha representava o futebol arte, a brincadeira. A mítica figura de pernas tortas muitas vezes mudava a sua trajetória em campo para ter o prazer de encarar um outro adversário ou drilbar o mesmo rival mais uma vez.

Nascido em Pau Grande-RJ, no dia 18 de outubro de 1933, Mané tinha tudo para dar errado no futebol. Com a perna esquerda seis centímetros mais curta do que a direita, tinha um físico considerado estranho para um atleta.

Apesar disso, deu certo. Ao longo de 12 anos defendendo o Botafogo, conquistou três títulos do Estadual do Rio de Janeiro e duas edições do Rio-São Paulo. Na seleção brasileira, fez uma dupla história com Pelé. Juntos, eles nunca perderam.

Na Copa do Mundo de 1958, a primeira que disputou, ganhou a posição durante o torneio e foi coadjuvante de Pelé na conquista do primeiro título mundial do Brasil. Um ano depois, voltou à Suécia, desta vez pelo Botafogo, e, além de dribles, deixou um filho: Ulf Lindberg, filho de um romance com uma camareira.

Em 1962, Garrincha viveria o seu ápice. Após Pelé sofrer uma contusão diante da Tchecoslováquia, na segunda partida da seleção no Mundial, o ponta-direita do Botafogo assumiu a responsabilidade e conduziu o Brasil ao bicampeonato --além do show dado nos gramados chilenos, ele acabou a competição como um dos artilheiros, com quatro gols.

Uma das histórias mais famosas de sua carreira aconteceu justamente nessa Copa. Garrincha foi expulso na semifinal contra o Chile e, por isso, não poderia participar da decisão do torneio. No entanto o juiz e os bandeirinhas da partida "sumiram" e não entregaram a súmula, isentando assim o brasileiro da suspensão automática. Especula-se que o árbitro foi "presenteado" pela CBD com uma viagem para o Brasil.

Já em decadência, foi convocado para a Copa de 1966, em que encerraria a sua carreira na seleção. Atuou ainda por Corinthians, Atlético Júnior (COL), Flamengo e Portuguesa-RJ antes de encerrar a sua trajetória como profissional, em 1972, defendendo o pequeno Olaria, do subúrbio carioca.

Vítima de alcoolismo, morreu precocemente e com graves problemas financeiros aos 49 anos, em 20 de janeiro de 1983, no Rio de Janeiro. Deixou três ex-mulheres, entre elas a cantora Elza Soares, e 13 filhos.

A vida do jogador foi retratada no livro Estrela Solitária - Um brasileiro chamado Garrincha, de Ruy Castro, e vrou o longa-metragem Garrincha, Estrela Solitária, uma co-produção entre Brasil e Chile, de Milton Alencar, estrelado por André Gonçalvez (Garrincha) e Taís Araújo (Elza Soares), lançado em 2004.

 

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