Juizado investiga pais de menores encontrados em situação precária em BH
PAULO PEIXOTO
da Agência Folha, em Belo Horizonte
O Juizado da Infância e da Juventude de Belo Horizonte (MG) vai instaurar nesta semana investigação contra os pais de 20 adolescentes que foram encontrados, quarta passada, em situação precária em casas alugadas por um empresário.
Outros dois maiores de 18 anos também foram resgatados pelo Conselho Tutelar.
O juiz da Infância e da Juventude, Marcos Flávio Lucas Padula, diz que o objetivo da ação, que ele chama de "procedimento investigatório protetivo", é saber se há envolvimento dos pais no agenciamento feito por Silvio Luiz Araújo ou se foram "iludidos". O pagamento era de até R$ 1.500 por testes dos filhos em clubes de futebol.
Os garotos saíram de cidades de Bahia, Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais.
Essa é parte da investigação que o juizado em Belo Horizonte solicitará, por carta precatória, aos juizados das cidades onde os meninos moram.
A outra parte, segundo Padula, é conhecer a relação dos pais com os menores. "A finalidade é ver se existe falha no desempenho do poder familiar, se estão faltando com algum dos deveres do dever familiar, como guarda, educação e criação. O caráter da investigação é de aplicar medidas de proteção."
A "exacerbação da ilusão" dos jovens em se tornarem famosos, segundo o juiz, permite que sejam facilmente aliciados e também os pais. "Os pais deveriam ser mais comedidos, perceber que aquilo é golpe. Jogam com o destino da criança, cada vez mais longe da escola."
Ministério Público do Trabalho faz investigação em vários Estados sobre a relação de adolescentes com clubes e empresários. O trabalho pode resultar em regulamentações e ajustamento de condutas dos times.
Em Minas, o empresário foi preso sob suspeita de maus-tratos e estelionato. Atletas disseram que houve falsas promessas e que o alojamento e a alimentação eram precários.
Araújo deixou a prisão no sábado. Segundo Gean Charles Lima, seu advogado, está "abaladíssimo", nega as acusações e diz que 'o Ministério Público não teve o cuidado de apurar'.
Segundo o advogado, eram cobrados R$ 350 por mês para os meninos ficarem na casa "com fartura e qualidade".
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