Thiago Pereira desiste de Mundial em piscina curta para treinar
MARIANA LAJOLO
da Folha de S.Paulo
A cabeça precisa de descanso, o corpo não. Para evitar que os músculos relaxem e o assédio seja ainda maior, Thiago Pereira desistiu do Mundial em piscina curta, no início de abril.
A decisão parece até contraditória, mas uma competição fora do país nessa altura da preparação poderia comprometer a missão do técnico Fernando Vanzella de "cansar" o pupilo.
"Com a viagem, não daríamos seqüência ao trabalho de musculação mais forte que estamos fazendo. Ele iria interromper o processo, descansar antes do tempo. Poderia até treinar na Inglaterra, mas não é a mesma coisa, há a viagem, a adaptação", afirma o técnico.
A programação de treinamento havia sido entregue à Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos no fim do ano passado. Thiago faz parte de uma elite de quatro atletas da natação que terão atenção e verba especial para se preparar para a Olimpíada, em agosto.
Nas últimas semanas, ele aumentou a carga dos exercícios de musculação. Também cumpre, em média, 55 km por semana na piscina, em dez sessões. Tem de ficar mais forte antes de focar a velocidade.
"Ele está com uma sobrecarga do sistema neuromuscular. Até se adaptar, demora um tempo. E isso tem de ser feito agora, se não não terá tempo de recuperação", diz Vanzella.
O treinador também quer poupar Thiago dos holofotes que surgiriam com o Mundial em piscina curta. O nadador mais badalado do Brasil atualmente quebrou o recorde mundial dos 200 m medley na distância no ano passado.
"O Thiago está em um estágio diferente de exposição depois do Pan. Ir ao Mundial iria gerar uma movimentação grande, mais mídia", afirma.
"Aí, se ele vai bem, aumenta o assédio. Se não consegue um bom resultado, surgem especulações sobre sua condição. Achamos melhor ele treinar com qualidade, sem tantas interferências", explica.
O treinador tem como exemplo o maior astro da natação mundial e principal rival do brasileiro nos Jogos de Pequim.
"O [Michael] Phelps teve de lidar com uma nova situação em 2005, após a Olimpíada [ganhou seis ouros em Atenas]. Ele e o técnico falaram isso. Havia novos compromissos, perdeu treinos, passou por um processo de adaptação", diz.
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