Esporte
25/03/2008 - 10h00

CBF rejeita festa em jogo alusivo à 1ª Copa da seleção

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PAULO COBOS
da Folha de S.Paulo

Para a CBF, o amistoso de quarta-feira, em Londres, às 16h45 (de Brasília), contra a Suécia, não vale como comemoração pelos 50 anos da final da Copa na Suécia, conforme anunciado pelos organizadores e também pelo lado escandinavo.

A entidade nacional não planejou nenhum evento para celebrar o cinqüentenário do primeiro título mundial brasileiro. Tampouco levou jogadores que participaram da conquista --de novidade só o cantor cearense Fagner, que acompanhou a delegação na viagem e está hospedado com o time em Londres.

Segundo a assessoria da confederação, o Brasil vai celebrar o feito ao seu modo, em data ainda não definida. Tudo bem diferente do que dizem os europeus. No site do Arsenal, o dono do Emirates Stadium, o palco da partida, o jogo é anunciado como uma "celebração do 50º aniversário da final de 1958 entre os dois países", vencida pelo Brasil por 5 a 2, de virada.

Propaganda semelhante acontece no site da federação sueca. Philipe Huber, da Kentaro, a empresa que organiza os jogos do Brasil, disse em entrevista a um jornal sueco que o amistoso só não foi marcado para um estádio do país escandinavo por causa do clima.

"A única razão [para a festa não acontecer na Suécia] é o clima do país em março. Nós temos de garantir um bom gramado, sem neve, e bons campos de treino", declarou Huber ao diário "Aftonbladet".

Há duas semanas, quando convocou o grupo que está em Londres, Dunga, que ontem não quis dar entrevistas, já havia adiantado que, na visão da CBF, o amistoso de quarta não era para festividades.

E, caso optasse por dar tom festivo para a partida, a entidade que comanda o futebol brasileiro teria que ensinar aos convocados algo sobre a célebre conquista de 1958. Boa parte dos atletas chamados por Dunga mostrou ignorância sobre o que aconteceu em campos suecos.

"Eu sei muito pouco sobre isso. Não é da minha época", disse o zagueiro Lúcio, o preferido por Dunga para ser o capitão da seleção. "Não tive a oportunidade de conversar com meus pais e meus avós sobre isso [a seleção de 1958]. Não sei o nome de nenhum jogador daquele time. Nasci em 1980", disse o atacante Luis Fabiano, que, assim, não lembra nem de Pelé nem de Garrincha, os maiores ícones do time que deu à seleção brasileira o primeiro de seus cinco títulos mundiais.

"Só sei que o Brasil foi campeão há 50 anos", declarou Alexandre Pato quando questionado sobre os seus conhecimentos da Copa da Suécia.

Depois da partida de quarta-feira, em que os suecos não terão o astro Ibrahimovic, lesionado, o Brasil só volta a jogar em junho, pelas eliminatórias, quando terá a chance de fazer em casa a celebração pelo cinqüentenário contra seu maior rival.

O time de Dunga pega, em Belo Horizonte, a Argentina pelas eliminatórias. Antes, também pelo classificatório para o Mundial de 2010, vai até Assunção desafiar o Paraguai. Depois, prioridade para o time olímpico, que disputa os Jogos de Pequim em agosto.

 

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