Ecclestone aconselha presidente da FIA a evitar processo contra jornal
da Folha Online
O dirigente da F-1 Bernie Ecclestone, que cuida dos direitos comerciais da categoria, aconselhou o presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Max Mosley, a evitar um processo contra o tablóide "News of the World" por ter publicado um vídeo e fotos nos quais Mosley participaria de uma orgia com cinco mulheres.
De acordo com o tablóide britânico, durante o vídeo, Mosley aparece fazendo referências nazistas e com o papel de "comandante de um campo de concentração". O jornal relaciona o suposto fetiche de Mosley a seu histórico familiar. Seu pai, Oswald Mosley, foi líder do partido fascista inglês, importante aliado de Adolf Hitler no pré-guerra.
Mas para Ecclestone, presidente da FOM (Gerência da F-1), um processo contra o jornal não ajudaria o dirigente. "Não será fácil. Se ele iniciar um processo, as chances de vencer seriam pequenas, e daria muito mais assunto para a imprensa", comentou Ecclestone em entrevista ao "The Times".
O presidente da FOM também não opinou sobre uma possível saída de Mosley do cargo de dirigência máximo na FIA. "Ele deve fazer o que acha que é certo", disse.
Ecclestone admitiu que os fatos envolvendo o escândalo, como as referências ao nazismo, chocaram as pessoas. "Se Max estivesse em uma cama com duas prostitutas, as pessoas diriam 'bom para você', ou coisa parecida. Mas o problema é que acham repulsivo pela forma como aconteceu."
Para o presidente da FOM, Mosley não deverá ir ao Bahrein, local da próxima etapa da categoria, neste domingo. "O problema é que tiraria toda a atenção da corrida para um assunto que, honestamente, não é da conta de ninguém", falou.
Segundo a imprensa britânica, um porta-voz de Mosley teria assegurado que o dirigente não tem nenhuma intenção de renunciar ao cargo de presidente da FIA e que ele processará o "News of the World" pela publicação da história. A mesma fonte teria dito que o dirigente não irá ao Bahrein, como estava planejado.
Reação
Já o ex-piloto Jody Scheckter, campeão mundial da F-1 com a Ferrari em 1979, disse que Mosley não tem condições de permanecer na presidência da FIA. "Não há dúvida que Mosley precisa renunciar", disse o sul-africano ao "The Guardian".
"Do ponto de vista do automobilismo, não se pode deixar alguém assim dirigindo o esporte. Ele deveria sair e eu gostaria de ver a imprensa criando uma campanha para persuadi-lo disso", comentou Scheckter.
Na segunda-feira, associações britânicas de judeus já haviam mostrado indignação pela divulgação do vídeo. "É um insulto a milhões de vítimas, de sobreviventes [do nazismo], assim como suas famílias. Ele teria que pedir perdão. Teria que ser demitido", afirmou um comunicado do Centro do Holocausto.
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