Pequim anuncia medidas para conter poluição durante Olimpíada
da Folha de S.Paulo
Após equacionar a crise em torno da tocha olímpica, a China atacou ontem um dos calcanhares-de-aquiles dos Jogos de Pequim. A prefeitura anunciou um plano radical para controlar a emissão de poluentes.
A regra entrará em vigor no dia 20 de julho e afetará a indústria, assim como a construção civil, até o final da Olimpíada chinesa --os Jogos serão realizados de 8 a 24 de agosto.
O diretor-adjunto do Escritório de Proteção Ambiental de Pequim, Du Xiaozhong, afirmou que, durante o evento, o número de carros em circulação nas ruas --3,3 milhões-- será reduzido pela metade.
Não bastasse isso, também serão proibidos os caminhões-tanque e postos de gasolina que não possuam tecnologia de redução de poluentes.
As 19 fábricas da cidade consideradas as mais poluidoras terão que reduzir a emissão de gases em pelo menos 30%.
Também serão interrompidas grandes obras de construção civil com uso de cimento, que poderiam espalhar ainda mais pó no ar da cidade.
As autoridades afirmam que, se essas medidas não forem suficientes para minimizar a poluição, devido a "condições meteorológicas desfavoráveis", haverá a implantação de um plano B. A nova estratégia prevê até o fechamento de um número maior de fábricas para que o ar da cidade atinja níveis aceitáveis durante os Jogos.
O ar de Pequim é considerado um dos piores do mundo e gera temor nos cerca de 10 mil atletas que irão competir.
Os principais poluentes encontrados em Pequim são o CO (monóxido de carbono), o NO2 (dióxido de nitrogênio), o SO2 (dióxido de enxofre) e partículas de poeira suspensas no ar.
O CO pode se fixar na hemoglobina, impedindo-a de transportar oxigênio no corpo. Já os outros poluentes podem induzir asma até em atletas que nunca sofreram do problema.
Consciente da gravidade do tema, o COI (Comitê Olímpico Internacional) já admitiu os riscos à saúde dos esportistas que participarão de provas de resistência ao ar livre, como maratona aquática, triatlo, maratona e ciclismo de estrada.
Por conta disso, o comitê planeja adiar disputas em mais de uma hora se a qualidade do ar no dia não for favorável. A idéia inicial era até postergar provas para outros dias, mas a iniciativa foi rejeitada pelos atletas.
Por enquanto, a principal --e mais polêmica-- desistência é a de Haile Gebrselassie, 34, recordista mundial da maratona. O etíope, que sofre de asma, abriu mão de correr a prova olímpica por temer pela saúde --ele planeja estender a carreira até os Jogos de Londres-12.
Alguns países, como os EUA, irão fornecer máscaras a seus atletas. A belga Justine Henin, atual campeã olímpica, também usará o artefato, condenado pelo COI. Jacques Rogge, presidente da entidade, afirmou que o aparelho é "inútil".
Leia mais
- Londres-2012 já cogita fazer apenas revezamento doméstico da tocha
- Entenda os problemas que afetam o ambiente e veja como garantir o futuro do planeta
- Guia ilustrado traz informações sobre todas as atrações da China
Especial


