Palmeiras utiliza clima extracampo para balançar elenco
MÁRVIO DOS ANJOS
RENAN CAIOLI
da Folha de S.Paulo
No Palmeiras, a receita para superar o São Paulo é combater a apatia, seja no campo, com seus jogadores, seja fora dele, por meio da diretoria.
Após as entrevistas dos jogadores na reapresentação do time, ontem à tarde, no CT, o gerente de futebol do clube, Toninho Cecílio, botou fogo na disputa extracampo.
"Não tem mais paz por aqui. O Palmeiras está no seu limite. Vamos passar por cima de tudo e de todos no domingo."
O alvo principal da revolta do dirigente era o superintendente de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha. "O Marco Aurélio já disse hoje que ficará de olho na arbitragem do jogo de domingo. Pode ficar, Marco Aurélio. A cada declaração sua eu vou responder daqui", disse Toninho.
O palmeirense reclamou da pressão exercida pelo time são-paulino e aproveitou para criticar mais uma vez a atuação do trio de arbitragem na derrota ante o rival, que confirmou um gol de mão de Adriano.
"Se aquele que era considerado o melhor fez o que fez no domingo, o que eu posso esperar dos outros?", questionou.
Para o confronto no Parque Antarctica, José Henrique de Carvalho, Wilson Seneme e Rodrigo Braghetto foram os selecionados para o sorteio.
O clima tenso fora de campo parece ter contagiado, também, os jogadores do Palmeiras. Após elenco e comissão técnica conversarem a portas fechadas por uma hora, os atletas admitiram que ficaram devendo futebol nos 2 a 1 contra do último domingo, no Morumbi. E apontaram o que precisarão mudar para reverter a desvantagem.
"Mudar a atitude. Respeitamos demais o São Paulo", falou o lateral-direito Élder Granja.
"Não é momento de ficarmos cabisbaixos. É difícil perder um clássico. Dói. Mas o futebol te dá a possibilidade de digerir a derrota e, uma semana depois, reverter essa desvantagem", afirmou o atacante Denílson.
No São Paulo, Muricy diz que seu time não vai jogar para administrar o empate. "Nosso time não tem a característica de controlar o jogo. Vamos ter que ir para cima", afirma o comandante, que dispensa qualquer tipo de "doping motivacional".
"Isso é uma coisa muito moderna e que hoje já está ultrapassada, mas vocês ainda caem nessa. O que existe é um trabalho tático e a diferença que o jogador faz em campo", afirmou. "Quando perde, ninguém diz que usou um vídeo maravilhoso na concentração."
O técnico são-paulino acrescentou que, no Brasileiro do ano passado, enfrentou e venceu muitos times que estavam hipermotivados em jogos decisivos. "Existe um estudo que mostra que quando você põe muita pilha num jogador ele entra desfocado."
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