Esporte
17/04/2008 - 09h43

No Paquistão, tocha olímpica desfila apenas para a elite

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da Folha de S.Paulo

Apenas uma elite, formada por convidados selecionados a dedo, puderam assistir ontem ao revezamento da tocha em Islamabad, no Paquistão.

Formada pelo presidente Pervez Musharraf, que acabara de retornar ao país após visita de seis dias à China, e por, majoritariamente, um grupo de crianças, o público da tocha foi vigiado por um forte contingente policial, que ocupou inclusive o teto de algumas casas para melhor vigiar o público.

"Vi a tocha só por um instante, já que não posso ir ao estádio pois não tenho um convite", afirmou, resignada, Abeer Malik, uma estudante de 18 anos.

O resto da população teve de se conformar com menos: pôde acompanhar a tocha só pela TV.

Além da assistência seleta, a tocha percorreu rota abreviada. Originalmente, o trajeto, com extensão de três quilômetros, incluía uma das principais avenidas de Islamabad. Alvo de ataques a bomba, o Paquistão limitou o revezamento ao perímetro do estádio Jinnah, principal complexo esportivo da capital do país.

A justificativa para a mudança na rota foi o clima. Porém apesar de ter chovido muito na terça-feira, ontem o tempo foi bom em Islamabad.

Já em Nova Déli, na Índia, milhares de policiais patrulhavam ontem o centro da cidade, onde a chama olímpica desfila hoje, em um trajeto que também foi abreviado.

A Índia é um dos locais de maior concentração de exilados tibetanos. Manifestantes afirmam que a passagem da tocha por lá será uma oportunidade perfeita para protestar.

Milhares de tibetanos já se encaminhavam para Nova Déli ontem.

Arena

Um dos símbolos dos Jogos de Pequim, o estádio, com capacidade para 91 mil pessoas, foi aberto ontem. O custo da arena, sede de atletismo e futebol na Olimpíada, foi de US$ 450 milhões (R$ 757 milhões). Os organizadores admitiram que dois operários morreram nas obras. Mas há suspeita de que houve dez mortos.

 

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