Opinião: Uma estátua para o "antipático" Luxemburgo
RICARDO FELTRIN
Editor-chefe da Folha Online
Arrogante, convencido, pedante, prepotente, falastrão e até estelionatário. São alguns termos pejorativos que adversários costumam distribuir para o técnico Vanderlei Luxemburgo. Mas, o epíteto que fica na história, e o mais importante, é aquele que só os palmeirenses hoje podem dizer: "genial".
Campeão pela oitava vez no Paulista, de longe o mais disputado torneio estadual do país, Luxemburgo tira novamente o Palmeiras de uma fila incômoda, assim como fez em 1993 de forma quase milagrosa contra o maior inimigo, o Corinthians.
Naquela ocasião, muitos ainda tentaram diminuir a importância do técnico, ao afirmar que aquele time era poderoso sozinho, e que Luxemburgo foi um "acessório". Nada mais injusto. Nada mais irreal.
Afinal, foi também graças à aplicação de suas ridicularizadas técnicas de neurolingüística e de motivação básica --que inclui de palestras a videoclipes com imagens impactantes de cada jogador--, que o time saiu da desvantagem do primeiro jogo, e do então estigma de perdedor, para fazer uma das melhores partidas de sua história e se tornar campeão.
Esta semana, assim como aquela em 93, não foi diferente. Após a derrota para o Sport por 4 a 1, pela Copa do Brasil, o que mais se ouviu (e não só na imprensa esportiva) era que o Palmeiras morreria na praia, que entraria deprimido em campo, e que, se tomasse o primeiro gol, se descontrolaria emocionalmente e perderia o título. Não tomou nenhum, fez cinco.
A suposta mandinga não funcionou, e o Palmeiras é novamente campeão. Não com uma vitória, mas com um massacre. E, dessa vez, não com um time de estrelas incontestáveis (como em 93), mas com um conjunto extremamente afinado.
Conjunto que inclui não só elenco e comissão técnica, mas também uma diretoria modesta, uma assessoria de imprensa profissional (a primeira em décadas) e, obviamente, o torcedor que gritou do começo ao fim da partida e do campeonato.
Luxemburgo não precisa mais retrucar seus inimigos e detratores. Seu currículo como técnico é sua defesa. Para irritação de seus rivais, o "antipático" está no panteão de heróis da Sociedade Esportiva Palmeiras, como Luis Pereira e Evair. Merece uma estátua no Parque Antártica, ao lado da de Ademir da Guia. Merece a Seleção Brasileira.
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