Com estilo diferente, Luxemburgo iguala títulos de Lula
MAURÍCIO EIRÓS
PAULO COBOS
da Folha de S.Paulo
Eles estão agora juntos como os treinadores mais vitoriosos da história do Campeonato Paulista. Mas, além das oito taças do torneio, nada une Lula e Vanderlei Luxemburgo. O primeiro era de uma época em que os treinadores eram meros coadjuvantes. O segundo ofusca até os craques de suas equipes, tanto que hoje é o maior salário do Palmeiras.
Lula ganhou seus oito Paulistas sempre pelo Santos, onde ficou por 12 anos, entre 1954 e 1966. Luxemburgo foi campeão do Estado por quatro times diferentes e nunca ficou mais de três anos no mesmo clube.
Roupas simples e linguagem coloquial eram as marcas de Lula. Ternos bem cortados e um jeito de falar empolado são características registradas do atual treinador palmeirense.
Lula ficou com a fama, injusta, segundo quem conviveu com o treinador, de ter como função básica jogar as camisas para o alto para que os craques do Santos as vestissem e resolvessem tudo dentro de campo.
Luxemburgo quase sempre dirigiu equipes recheadas de estrelas. Mas muitas das vitórias de seus times foram atribuídas a "nós táticos" que ele aplicou nos técnicos rivais.
A diretoria dos anos dourados do Santos nunca deu espaço para Lula interferir em contratações e renovações de contrato. Luxemburgo trabalha agindo nessas áreas e em muitas outras dos clubes.
Quem conviveu com Lula, morto há mais de 30 anos, e acompanha a carreira de Luxemburgo reconhece a diferença entre os dois profissionais.
"O estilo do Luxemburgo e o do Lula são diferentes. O Lula tinha facilidade em criar um bom ambiente entre os jogadores. Sabia como ninguém unir o grupo e era conciliador. Os jogadores entendiam o que ele queria passar porque usava a linguagem do boleiro e era muito simples", aponta Pepe, segundo maior artilheiro do Santos, que contesta a visão de que Lula sabia pouco de futebol.
"Dizer que um técnico que foi campeão paulista oito vezes, além de cinco vezes da Taça Brasil, duas vezes da Libertadores e outras duas vezes campeão mundial de clubes servia só para distribuir as camisas no vestiário é, no mínimo, não conhecer a história do futebol", defende o ex-atacante.
"É difícil comparar os dois porque são outros tempos. São épocas diferentes. Apesar de o Lula ter sido o mais vitorioso na história do Santos, ele era muito simples e usava um vocabulário simples. Ele tinha facilidade de passar o que queria. E diferente do Luxemburgo hoje, o Lula precisava garimpar atletas em outros clubes", diz Urubatão, outro ex-santista.
Para Abel, ponta-esquerda que atuou pelo Santos nos anos 60 e 70, "Lula tinha em suas mãos jogadores que nunca mais o futebol irá produzir".
Em compensação, o treinador sofreu uma desvantagem em relação aos tempos atuais. "Hoje o Luxemburgo tem muitas facilidades por conta dos recursos da tecnologia", afirma.
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