Esporte
06/05/2008 - 08h03

No Rio, natação tenta driblar a dengue em última seletiva olímpica

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RAFAEL REIS
da Folha Online

Os cerca de 434 nadadores que disputarão a partir desta terça-feira o Troféu Maria Lenk-2008, última seletiva brasileira para os Jogos Olímpicos, vão cair na água no Rio de Janeiro pensando não somente em obter o índice para Pequim, mas também com uma outra preocupação: manter-se longe da epidemia de dengue.

Segundo dados da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro, até o dia 30 de abril, haviam 121.586 casos confirmados de doença no Estado, e 67.566 no município só em 2008. O número de mortes (106 no Estado, sendo 62 na capital) também é bastante elevado.

Veja vídeo com entrevista de nadadores brasileiros

"Com certeza, a gente fica um pouco receoso. Estava acompanhando as notícias dias atrás e o foco de dengue era muito grande, mesmo assim eles confirmaram o Maria Lenk lá", afirmou Lucas Salatta, do Pinheiros, já classificado para Pequim.

A situação chegou a colocar em dúvida o Rio como sede do Maria Lenk. No entanto a CBDA decidiu manter o evento na cidade após elaborar um plano para manter os atletas longe do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.

O plano prevê que os técnicos da Secretaria Estadual de Saúde do Rio tracem um raio a partir de locais em que os competidores passarão, entre eles o hotel onde vão ficar, o trajeto que farão e o próprio Parque Aquático Maria Lenk, na Barra da Tijuca (zona oeste), palco da competição. Esses "epicentros" deve ser protegidos por bombeiros, que checariam possíveis focos de dengue.

"Eu não entro nessa discussão sobre se é eficaz ou não. A CBDA é o órgão que cuida de tudo isso e a gente confia no discernimento deles. Compete a eles determinar o local que que pode receber a maior competição do país, que é também a última seletiva olímpica", disse o técnico da seleção Alberto Silva, o Albertinho.

Segundo o treinador, um dos fatores que pesaram para manter o evento no Parque Aquático Maria Lenk foi o bom desempenho que a natação brasileira teve no local nos Jogos Pan-Americanos do ano passado --foram 27 medalhas, 12 delas de ouro.

Até o momento, o Brasil tem 11 atletas --entre eles os candidatos a medalha Thiago Pereira e César Cielo Filho-- com índice olímpico, além de três revezamentos já classificados para os Jogos de Pequim. Em Atenas-2004, a delegação da natação do país contou com 23 nomes, número que dificilmente será superado após o Maria Lenk.

"Quantidade não quer dizer qualidade. Eu acho que a gente pode até levar menos atletas, mas podemos conquistar uma medalha que não trouxemos na outra Olimpíada. No fundo, não é isso que é determinante para falar da evolução da natação no Brasil", justificou Albertinho.

 

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