Esporte
06/05/2008 - 08h12

Após o "caso Rebeca", nadadores brasileiros evitam falar de doping

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RAFAEL REIS
da Folha Online

O tema doping virou tabu entre os principais nadadores do Brasil após o flagra de Rebeca Gusmão, cujos exames do último Pan apresentaram irregularidades. Os atletas da delegação que vai aos Jogos de Pequim pouco falam sobre o assunto e adotam discursos evasivos quanto ao controle.

"A gente só fica sabendo de alguma coisa quando alguém é pego. O controle cabe à Fina e é eles que têm que decidir se todo mundo está limpo ou não", disse Lucas Salatta, que tem índice nos 200 m costas.

Veja vídeo com entrevista de nadadores brasileiros

"Nós vemos uns tempos absurdos, com o pessoal batendo uns tempos muito pesados nas competições. Mas a gente não desconfia de ninguém. Todo mundo está treinando duro. Nem tem como desconfiar de caso de doping", adicionou Guilherme Guido, pré-classificado nos 100 m costas.

Em 2006, um exame realizado por Rebeca Gusmão, apresentou alta taxa de testosterona. No ano passado, exame promovido pela Fina no dia 13 de julho, data de abertura do Pan, mostrou novamente nível anormal de testosterona. Pior: testes de Rebeca realizados nos dias 12 e 18 de julho, durante os Jogos, apresentaram duplicidade de DNA.

Rebeca contestou o resultado do teste. Em 18 de dezembro, foi realizada a análise da contraprova no Laboratório INRS-Institute Armand Frappier. Um médico contratado por Rebeca informou que o resultado teria sido inconclusivo.

Em março, a nadadora, que já tinha índice olímpico nos 50 m e 100 m livre, prestou depoimento na Corte de Arbitragem do Esporte, em Lausanne, na Suíça. O resultado do seu julgamento só deve ser anunciado em 15 de maio.

Portanto, ela não poderá participar do Troféu Maria Lenk, última seletiva do país para os Jogos. Sua pena pode ser de dois anos de suspensão.

 

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