Esporte
07/05/2008 - 10h06

COI fecha cerco contra manifestações políticas

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da Folha de S.Paulo

O COI (Comitê Olímpico Internacional) resolveu fechar o cerco às manifestações políticas durante a Olimpíada de Pequim, de 8 a 24 de agosto.

Nos últimos dias, Jacques Rogge, presidente do COI, afirmou que, diante dos problemas enfrentados durante o revezamento internacional da tocha, a entidade se manifestaria claramente sobre o que seria permitido na Olimpíada.

Em correspondência enviada ontem a suas filiadas, as regras da Carta Olímpica foram, de fato, mais explicitadas.

O COI afirma que o veto inclui "todas as ações, reações, atitudes ou manifestações de algum tipo de uma pessoa ou grupo, incluindo, mas não limitando a isso, aparência externa, roupas, gestos e manifestações orais ou por escrito".

O comitê reitera o direito de livre expressão e que os atletas têm permissão de responder a qualquer tipo de questão durante as entrevistas coletivas. Porém pede que "todos usem bom senso e mostrem respeito com todos os atletas, incluindo aqueles do país anfitrião".

No entanto, a entidade não esclareceu se expulsará dos Jogos aqueles que infringirem as regras. Não há consenso no COI sobre o que fazer nesse caso.

Questionado sobre o assunto no mês passado, o dirigente até deu brechas às manifestações.
"Não há sanção. Decididamente não", respondeu o dirigente, de forma peremptória.

Apesar da evasiva, o COI tem recebido pressão do Bocog (o comitê organizador dos Jogos de Pequim) para que expulse dos Jogos os atletas que fizerem manifestação política.

E o barril de pólvora pode explodir em Pequim. Uma das formas de protesto que podem ocorrer foi apresentada por franceses há algumas semanas.

Cerca de 20 atletas propuseram usar um emblema com a inscrição "Por um mundo melhor", como forma de apoiar reivindicações de ONGs de direitos humanos na China.

"Com isso, queremos recolocar os valores olímpicos no centro dos Jogos. Temos que devolver à Olimpíada seu sentido original", defendeu Romain Mesnil, vice-campeão mundial de salto com vara em 2007.

A insígnia já foi utilizada em protestos na etapa de Paris do revezamento da tocha, quando a chama olímpica acabou sendo apagada quatro vezes.

Rogge, em entrevista ao diário "Les Temps" no início da semana, afirmou que esse tipo de manifestação seria coibido.

"A liberdade de expressão representa um direito fundamental, nada há o que dizer contra isso. No entanto, existem locais, como as arenas, a Vila Olímpica e o pódio, que queremos proteger de qualquer interferência política."

Para ele, iniciativas como a dos franceses não seriam toleradas. "Na formulação atual [das regras olímpicas], há chances muito escassas de esse plano ser aprovado", disse Rogge.

 

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