Esporte
27/05/2008 - 10h24

Fãs brasileiros acompanham finais do hóquei no gelo pela rede

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CRISTINA MORENO DE CASTRO
Colaboração para a Folha Online

Criados para acompanhar o futebol --e contrariando a preferência de um país sem inverno rigoroso--, alguns brasileiros fazem de tudo para não perder os jogos de um esporte que é mais popular no Canadá, de invernos abaixo do zero grau.

Para eles, as finais da copa são agora. Mais exatamente a Copa Stanley de hóquei no gelo, considerada a principal competição do esporte, que entrou em sua fase decisiva longe da TV, já que nenhuma emissora (seja aberta ou paga) transmite os jogos no Brasil.

Nesta segunda-feira (26), o Detroit Red Wings (ala oeste) venceu por 3 a 0 o segundo jogo das finais contra o Pittsburgh Penguins (ala leste). Com isso, o Detroit já tem duas vitórias na fase decisiva da Copa da NHL (Liga Nacional de Hóquei), que é disputada em sete partidas --vence quem chegar a quatro vitórias. Se forem necessários todos os jogos, o campeonato termina em 7 de junho.

A paixão pelo hóquei fez com que um grupo de 13 fãs, de várias partes do país, resolvesse se organizar e montar uma revista digital semanal, única em português toda dedicada ao hóquei no gelo.

Patricia Stavis/Folha Imagem
Alexandre Giesbrecht, idealizador do "The Slot", dedicado do hóquei
Alexandre Giesbrecht, idealizador da "The Slot", dedicada ao hóquei

Em sua 197ª edição, a página The Slot (a "boca do gol" no hóquei), chega a atrair 600 acessos por mês, segundo o publicitário paulista Alexandre Giesbrecht, 32, seu idealizador.

Ele diz que gasta pelo menos dez horas por semana com o prazer de falar de hóquei. Torce para o Pittsburgh, embora aposte na vitória do Detroit nesta Copa Stanley, que, segundo os fãs brasileiros, é considerada mais importante que a Copa Mundial de Hóquei.

O economista carioca Marcelo Constantino, 34, que escreve na The Slot desde sua criação, em 2002, descreve o mesmo prazer: "A única remuneração que temos é a atenção que o leitor dá". Nenhum deles joga hóquei. Melhor nos jogos de raquete, Marcelo resolveu aprender a andar de patins --de rodinha-- aos 30 anos.

Já o publicitário Rodrigo Motta, 35, goiano torcedor do Detroit Red Wings, adotou como estratégia para não perder os jogos a instalação de programas de compartilhamento gratuito de canais norte-americanos, por meio dos quais assiste a centenas de partidas ao longo da temporada.

Quando ele começou a se entusiasmar com o hóquei no gelo, em 1995, a ESPN ainda transmitia os videoteipes durante a madrugada. Desde 2004, a internet passou a ser a única responsável pelo surgimento de novos espectadores.

Mas, ainda antes da popularização da web, foi o videogame que despertou o interesse da maioria dos fãs de hóquei. O analista de produtos Cauê Fonseca, 25, que mora em São Paulo, já jogava o Mega Drive NHLPA 93 aos 11 anos. Os cartuchos inspiraram a busca por mais informações sobre o esporte que ainda não tem equipe profissional no Brasil.

Para ouvir gratuitamente os jogos, acesse o site oficial da Liga.

 

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