Em comemoração por título da Copa-1958, ex-jogadores criticam Dunga
LUCAS FERRAZ
da Folha de S.Paulo, em Brasília
Para alguns dos campeões da Copa de 1958, primeiro Mundial conquistado pela seleção brasileira, falta "gabarito" a Dunga para comandar o time. O técnico foi muito criticado e vaiado nas duas últimas partidas no país. Outros, contudo, defendem o trabalho do também ex-jogador ao decretar que o problema é do futebol brasileiro, que está em má fase.
Oito ex-jogadores participaram ontem, em Brasília, de um almoço comemorativo pelos 50 anos da conquista na Suécia, o que, nas palavras do escritor Nelson Rodrigues, fez o país perder a vergonha de ser feliz.
"Estamos em um momento de transição, que começou da Copa de 2006 para cá. Aquela base não existe mais, é preciso renovar", diz Mario Jorge Lobo Zagallo, campeão em 1958 e 1962 como ponta-esquerda.
Para ele, Dunga faz um bom trabalho, "já ganhou uma Copa América". "É um momento ruim também dos jogadores."
Pepe, que foi reserva de Zagallo na Suécia, afirma ter sido "precipitada" a escolha de Dunga, um ex-jogador que nunca havia tido experiência no cargo.
Para os ex-defensores Orlando e De Sordi, falta gabarito ao técnico. "Não parece nada com a seleção brasileira, ele não tem gabarito para treinar o time", afirma o primeiro. "Eles [os convocados por Dunga] só são craques no jornal, no campo não fazem nada", aumenta o tom da crítica De Sordi.
Apontado pelos colegas como o jogador que mais gritava com os companheiros em campo --estilo, com as devidas proporções, semelhante ao de Dunga jogador--, Zito defende o treinador. "A seleção está como as outras. A Argentina, por exemplo, não está muito superior."
Também participaram do encontro Mazola, Moacir e Dino Sani, além de Kurt Hamrin, ponta-esquerda sueco que enfrentou os brasileiros na final, e Bengt Agren, um dos organizadores daquele Mundial.
Dos 22 jogadores que embarcaram para a Copa de 1958, nove já morreram. Alguns, por problemas de saúde, não devem comparecer aos festejos.
Outros, como Pelé e Djalma Santos, devem se juntar aos jogadores no DF para participar de mais homenagens, como entrega de medalhas pelo presidente Lula, na quinta-feira, e jantar na Embaixada da Suécia, na sexta.
Reencontro
Mazola e Moacir se encontraram pela última vez na comemoração do título, no Rio, em junho de 1958. Os jogadores, após a volta ao Brasil, acertaram com clubes de fora do país e seguiram carreira no exterior.
Mazola foi para a Itália, e Moacir, para a Argentina. De lá, passou pelo Uruguai, Equador, Peru e Equador de novo, onde encerrou a carreira e conheceu sua mulher, com quem teve três filhos. Está no país há 48 anos.
Emocionado, Mazola falou estar "muito feliz" por encontrar vários ex-companheiros.
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