Esporte
30/06/2008 - 07h24

Em elenco de estrelas, coadjuvantes de 58 foram espectadores privilegiados

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RODRIGO BUENO
SÉRGIO RANGEL
da Folha de S.Paulo

Time cheio de protagonistas, com craques em todas as posições. Era inevitável que a seleção de 58 tivesse coadjuvantes de luxo, em campo e fora dele.

"Eram 22 grandes jogadores. Os que entravam não iam sair nunca", diz Dino Sani, cerebral meio-campista que se contundiu na Copa e foi para a reserva.

"O Pelé entrou no lugar do Dida, o Garrincha entrou no lugar do Joel, eu me machuquei [atuou contra Áustria e Inglaterra], o De Sordi se contundiu no penúltimo jogo. Mas o Feola escolheu bem os jogadores", afirma Dino, ídolo de clubes como Boca Juniors e Milan, que vive hoje sozinho em São Paulo.

E Pepe, o "Canhão da Vila", o "maior artilheiro do Santos", pois Pelé não conta para ele?

"Disputava posição com Zagallo e Canhoteiro. Contra a Bulgária, entrei no lugar do Canhoteiro, jogador sensacional, e fui bem, fiz gol. Cheguei à Itália como titular. Mas veio o fatídico jogo com a Inter. Um loirinho, Bicicli, me pegou no pé de apoio. Desleal. Só me recuperei no quinto jogo da Copa, aí não tinha como tirar o Zagallo", fala Pepe em papo na Vila.

A famosa sorte de Zagallo quase o abandonou também pouco antes da Copa. Ele chegou a pedir o seu corte na véspera do embarque à Europa.

O drama de Zagallo começou no Maracanã no último coletivo da seleção no país. Ele e Pelé treinavam no gol. Os dois eram opções de Feola para substituir o goleiro Gilmar em caso de contusão (Castilho era o reserva genuíno da posição).

No fim do treino, Bellini chutou da entrada da área, e Zagallo pulou para defender. Sem experiência na posição, a bola bateu só no dedo indicador e abriu longa ferida na mão esquerda. Zagallo caiu aos berros.

"Foi um susto imenso. Quando vi o estado em que a minha mão ficou, o desespero aumentou. Dava para ver alguns ossos. No hospital, pedia ao médico para me tirar da viagem. Ele gritou, pediu para eu parar de falar bobagem e começou a costurar a minha mão'', lembra Zagallo, no salão de jogos do condomínio em que mora no Rio.

Assim como Dino e Pepe, Zagallo tem hoje vida tranqüila, não como a que teve até os anos 90, quando serviu a "amarelinha"' com fervor sem igual --é o único tetra de verdade do país.

"Por pouco não perdi a Copa de 58. Seria uma grande frustração", disse Zagallo, que recebeu 13 pontos e viajou com o braço na tipóia --a superstição, em especial com o 13, começou a marcá-lo já em 1958.

Até Zagallo, que cumpriu importante função tática, admite ter sido um coadjuvante em 58. "Teve hora que parei e fiquei vendo a partida, me tornei um torcedor privilegiado em campo", diz, sobre Pelé e Garrincha.

E o que dizer de Moacir, meia que mora no Equador? Grande nome do Flamengo, foi íntimo de Pelé: fora do campo, eram companheiros de quarto.

 

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