Brasil festeja 50 anos da Copa-1958 e virada na história do país
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
MARCELO FREIRE
Colaboração para a Folha Online
O Brasil festeja neste domingo os 50 anos da conquista de sua primeira Copa do Mundo de futebol. Mais do que isso, comemora um ponto de virada na história não só do futebol, mas também do próprio país.
No dia 29 de junho de 1958, em Estocolmo, a seleção brasileira de Pelé, Garrincha e cia., ao bater os suecos por 5 a 2 na decisão do Mundial, pôs fim ao que o mítico cronista Nelson Rodrigues chamava de "complexo de vira-latas".
Nas palavras do próprio escritor, esse fenômeno era representado "pela inferioridade em que o brasileiro se coloca [colocava], voluntariamente, em face do resto do mundo".
O triunfo brasileiro em 1958 acabou enfim com o trauma causado pela tragédia de oito anos antes, que ficou conhecida como Maracanazo, quando o Brasil perdeu para o Uruguai em pleno Maracanã e deixou escapar o que seria o primeiro título mundial.
Além de abrir caminho para as quatro Copas que seriam conquistadas nos 50 anos seguintes (1962, 1970, 1994 e 2002), o que tornou o país o maior vencedor do futebol no planeta, o estilo apresentado na competição sueca também serviu para tornar o Brasil sinônimo de excelência nos gramados.
Junto com a maior potência dos gramados, nasceu em 1958 também a essência do futebol-arte. A escola brasileira de futebol consagrou o drible, a espontaneidade e a ofensividade em oposição à força e à disciplina do futebol europeu.
Até então, o "complexo de vira-latas" impedia que o Brasil se impusesse frente a adversários que os jogadores muitas vezes tentavam copiar.
"Foi uma conquista que lavou a alma do brasileiro", resume o meia Zito.
"O Brasil vinha de 50 e 54, dois desastres, dois traumas, e o futebol brasileiro foi resgatado. Daí pra frente, o Brasil se tornou o melhor futebol do mundo", diz ponta Pepe, reserva no torneio.
A conquista da Copa-1958 também não foi apenas esportiva. O título mundial colocou definitivamente o Brasil no mapa do mundo. Antes de pela primeira vez começar a exportar cultura, como faria nos anos seguintes com a Bossa Nova, os brasileiros se apresentaram ao planeta por meio do time do técnico Feola.
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