Esporte
27/06/2008 - 09h01

"Tático", Zagallo foi de coadjuvante a revolucionário na Copa-1958

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MARCELO FREIRE
Colaboração para a Folha Online

Inicialmente coadjuvante de um ataque que contava com jogadores como Pelé, Garrincha e Vavá, Mário Jorge Lobo Zagallo, 76, acabou sendo decisivo na conquista da primeira Copa do Mundo da seleção brasileira, na Suécia-1958. Mais do que isso, ele iniciou uma pequena revolução tática que marca o futebol mundial até hoje, exatos 50 anos depois.

Ouça entrevista com Zagallo

No esquema do técnico Vicente Feola, Zagallo foi pioneiro na função de ponta recuado, jogador de ataque que também ajuda a compor o meio-campo e auxilia na marcação. A posição de Zagallo inclusive permitiu que o lateral-esquerdo Nílton Santos se destacasse, já que até então os laterais pouco subiam ao ataque para não desguarnecer a defesa.

"Saímos de um 4-2-4 rígido para fazer uma mudança tática para o 4-3-3. Era uma variação que existia. Quando nós perdíamos a posse de bola, estávamos com sete jogadores atrás. Quando pegávamos a bola, eu entrava como um ponta esquerda ofensivo", explicou Zagallo, em entrevista exclusiva à Folha Online.

Segundo o ex-jogador, a seleção conseguiu um diferencial com a inovação. "Foi um sistema tático diferente. Houve essa mudança tática que, no meu entender, melhorou para o Brasil, que sabia se defender e tinha valores excepcionais na parte ofensiva", contou.

Mesmo com função diferente em relação a Pelé e Vavá --responsáveis pela artilharia-- Zagallo entrou para a história ao marcar o quarto gol da seleção na final contra a Suécia, que acabou 5 a 2.

Faltando pouco mais de 20 minutos para o encerramento da Copa do Mundo, que pela primeira vez coroaria o Brasil campeão, o atacante desencantou e deixou também o seu nome na artilharia do Mundial.

"Foi uma felicidade muito grande [marcar o gol], porque eu era um jogador mais tático dentro do campo. Eu fazia uma dupla função, não tinha a mesma presença de área de um Garrincha, Pelé ou Vavá", ressaltou.

"Eu tive a felicidade de fazer esse quarto gol e dar o passe para o Pelé no quinto. A bola estava comigo na ponta esquerda, o Pelé veio de trás e levantou o braço para eu meter a bola nele. Meti justamente na cabeça dele, que fez o quinto gol", relembrou

Corte

Apesar da importância no time que venceu a Copa, o ponta-esquerda teve sua participação na colocada em dúvida antes do Mundial, quando disputava a vaga com Pepe (Santos) e Canhoteiro (São Paulo) --este último acabou ficando fora.

"Haviam três pontas-esquerdas: o Canhoteiro, o Pepe e eu. Um tinha que ser cortado, e sempre saía o meu nome, porque os favoritos eram o Pepe e o Canhoteiro. Mas tive a felicidade de entrar em um jogo contra o Paraguai, em um Maracanã superlotado, e fazer dois gols", explicou o ex-atleta, que atuava no Flamengo na época.

"As coisas foram prosseguindo até que houve a definição do corte. No último jogo, disputado em São Paulo, jogou o Canhoteiro no primeiro tempo e no segundo o Pepe. E eu ali já tinha sido escolhido para continuar com a seleção. O Canhoteiro foi cortado", conclui Zagallo, que participou de todos os jogos da Copa-1958 e também do bicampeonato em 1962 --além dos títulos como técnico em 1970 e coordenador-técnico em 1994.

 

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