Pelé põe seu primeiro gol na Copa-1958 como "ponto de virada"
MARCELO FREIRE
Colaboração para a Folha Online
Na história dos 1.279 gols de Pelé, hoje com 67 anos, poucos tiveram a importância do tento marcado no jogo contra País de Gales, pelas quartas-de-final da Copa do Mundo da Suécia-1958, o primeiro de sua coleção de 12 em Mundiais.
Assista a entrevista com Pelé e Pepe
Depois de passar pela primeira fase com duas vitórias e um empate, e embalado pelo grande desempenho no jogo anterior, quando havia vencido a URSS por 2 a 0, o Brasil chegou às quartas-de-final da Copa-1958 contra uma seleção conhecida por ser muito retranqueira.
Nesta partida contra País de Gales, a equipe brasileira só conseguiu marcar aos 21min do segundo tempo, quando Pelé recebeu a bola dentro da área, matou no peito, e, sem deixá-la cair, deu um leve toque por baixo para fintar o zagueiro galês e fuzilar no canto direito do goleiro Kelsey.
Depois de superar o time britânico, o Brasil também bateria França e Suécia, ambas por 5 a 2, para levar o título.
"O País de Gales era uma equipe que jogava totalmente atrás. Graças a Deus, no finzinho eu fiz aquele gol e o Brasil ganhou de 1 a 0", relembra Pelé, que salienta a importância do lance em sua carreira na seleção brasileira.
"Esse gol [contra País de Gales] foi o que me deu confiança para ficar na equipe", recorda.
Naquele ano, Pelé tinha apenas 17, ainda no princípio de sua história vitoriosa pelo Santos e pelo Brasil.
Segundo Zito, os atletas brasileiros reconheciam o talento do novato, mas sem perceber a importância que o jogador teria para a seleção nos anos seguintes. "Nós nunca tivemos uma percepção sobre isso. Eu jogava com ele no Santos e acompanhei sua carreira, foi muito jovem e desabrochou na Copa do Mundo", conta Zito.
Zagallo, no entanto, diz que já era possível perceber algo diferente em Pelé. "Apesar de ser um garoto, nós já sabíamos da qualidade dele. Ele só foi crescendo durante a Copa do Mundo", relata.
Apesar de muito jovem na ocasião, Pelé conta que o título ficou marcado em sua memória. "Não dá pra esquecer, né? Sendo campeão do mundo com 17 anos, coisa que nunca tinha acontecido. Não dá pra esquecer", finaliza o ex-camisa 10 da seleção brasileira.
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