Esporte
04/07/2008 - 09h23

Líder, Felipe Massa prefere ser comparado a Schumacher

TATIANA CUNHA
da Folha de S.Paulo, na Inglaterra

O primeiro impacto aconteceu no Canadá, duas semanas após o GP de Mônaco. O segundo, Felipe Massa sentiu ontem, no primeiro final de semana de corrida que começa como líder do Mundial de F-1, 12 dias após sua vitória em Magny-Cours.

Na primeira ocasião, depois de cravar a pole em Montecarlo, afirmou que sentia as pessoas olhando de maneira diferente. Agora, começa a ter de lidar com algo que "assombra" os pilotos brasileiros: as comparações com Ayrton Senna.

Mas isso não parece incomodá-lo. "O Senna é o Senna. Um grande piloto e um exemplo para todos, mas não quero me comparar a ele", disse Massa, primeiro brasileiro após o tricampeão a liderar a F-1, pondo fim a um jejum de 15 anos.

"Claro que gostaria de conquistar coisas que ele conquistou, mas são épocas diferentes. O Senna fez coisas que hoje seriam impossíveis de se conseguir. Se é para se lembrar de alguém, prefiro pensar no [Michael] Schumacher", disse, para então justificar a preferência pelo heptacampeão, com quem dividiu a Ferrari em 2006.

"Ele foi sensacional, não há comparação, mas aprendi muito com ele, e o fato de termos sido companheiros serviu até de aviso para mim, já que terminei o ano ganhando GPs dele e estávamos brigando por um décimo. Isso me mostrou que eu tinha atingido um nível forte e que poderia brigar de igual para igual com qualquer outro."

Apesar do ineditismo da situação, Massa garante que não irá mudar seu jeito de encarar as coisas, o que começa a ser colocado em prática amanhã em Silverstone, com os primeiros treinos para o GP da Inglaterra.

A corrida de domingo, oitava das 18 etapas deste Mundial, acontece às 9h (de Brasília).

"A verdade é que estar na liderança não faz diferença nenhuma. Não ganhamos nada ainda, a não ser algumas corridas. Claro que foi um impacto grande, o primeiro brasileiro após o Senna, mas para mim continua tudo igual", afirmou o piloto, dono de 48 pontos.

Robert Kubica, da BMW, vem em segundo na tabela com dois pontos a menos, e Kimi Raikkonen aparece em terceiro, com cinco de desvantagem para o parceiro de Ferrari.

Se nas pistas as coisas devem permanecer as mesmas, fora delas o novo status de Massa já foi sentido ontem no paddock inglês. A entrevista do brasileiro foi das mais concorridas, o que resultou em uma aglomeração de jornalistas ainda maior da que esteve na do campeão do mundo, Raikkonen.

Para Massa, porém, o importante é continuar o mesmo trabalho. "Temos que manter os pés no chão, pois estamos só na metade do campeonato."

Segundo ele, a temporada de 2007 serve sempre como um alerta. "O [Lewis] Hamilton tinha 17 pontos de vantagem em duas corridas e perdeu o título. E o Kimi tinha 17 de desvantagem e foi o campeão."

Assim como aconteceu nos três últimos GPs, a meteorologia indica chance alta de chuva amanhã e domingo, o que pode dificultar o trabalho de Massa de se manter na ponta no campeonato. "Estou aqui para vencer, mas não vai ser uma corrida fácil, ainda mais se chover", falou ele, que no ano passado teve problemas, largou dos boxes e chegou em quinto.

NA TV - 2º treino do GP da Inglaterra, Sportv, às 10h, ao vivo

 

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