Agressão a jornalistas gera incidente diplomático entre Japão e China
FÁBIO SEIXAS
da Folha de S.Paulo, em Pequim (China)
Agressões a dois jornalistas japoneses em Xinjiang --região onde atentado matou 16 policiais segunda-feira-- provocaram um incidente diplomático entre Japão e China e críticas à restrição à imprensa.
Shinzou Kawakita, 37, fotógrafo do jornal "Tokyo Shimbun", e Shinji Katsuta, 37, repórter da TV Nippon, foram abordados pela polícia enquanto cobriam o atentado em Kashgar, em Xianjiang, na manhã de ontem.
Segunda-feira, dois homens usaram um caminhão, bombas e facas para matar 16 policiais. O governo acusou o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental, separatista. Os dois foram presos.
Já os jornalistas foram levados pelos policiais para um hotel, de onde só saíram duas horas depois, feridos e com equipamentos quebrados.
"Minha cara foi empurrada no chão, meu braço foi torcido e fui atingido por duas ou três vezes na cara", afirmou Katsuta. O escritório de imprensa na China informou que o outro jornalista foi cercado por militares e sofreu vários chutes.
"Acreditamos que não se tratou de um engano, então planejamos protestar veementemente", reclamou Nobutaka Machimura, porta-voz do governo japonês.
Horas depois, oficiais de Kashgar e o Departamento de Relações Exteriores chinês pediram desculpas aos japoneses. Mas reforçaram que os jornalistas não deveriam estar no local onde foram encontrados.
"A área controlada pela polícia é proibida para jornalistas, e os dois desobedeceram as regras. Mas pedimos desculpas pelo incidente e pelos danos causados aos equipamentos", declarou a Secretaria Regional do Departamento de Relações Exteriores, que prometeu reembolsar os jornalistas.
O chefe do Departamento de Segurança Pública da Província de Xinjiang, Liu Yaohua, foi mais duro. "Os japoneses infringiram a lei chinesa ao entrar em uma área militar. Eles não justificaram corretamente a infração e sofreram as conseqüências. Mas mesmo assim eu peço desculpas e garanto, em nome do governo chinês, a liberdade para a imprensa estrangeira trabalhar no país."
A ONG Repórteres Sem Fronteira condenou as agressões. "Tememos que a intolerância com repórteres estrangeiros culmine em novos incidentes e o COI divida as responsabilidades, já que levou tanto tempo para pedir garantias à mídia", disse.
Além de bater nos jornalistas, a polícia chinesa em Xinjiang prendeu um taxista e um vendedor de vegetais. Ainda houve mais 18 manifestantes estrangeiros detidos na região.
No Tibete, movimentos separatistas acusaram os chineses de intensificar a repressão, vigiando opositores e sumindo com mil pessoas.
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