Esporte
08/08/2008 - 09h02

Pequim se blinda para proteger autoridades na abertura dos Jogos

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FÁBIO SEIXAS
da Folha de S.Paulo, em Pequim (China)

Junte a troca de farpas entre EUA x China, o desembarque de chefes de Estado para acompanhar a cerimônia de abertura, um atentado no noroeste do país, o policiamento ostensivo por toda a capital, protestos de pequenos grupos aqui e ali.

Pronto. A tensão pré-Olimpíada de Pequim transformou-se, de vez, em paranóia.

O marco desta condição veio ontem, véspera do acalentado 8/8/08. Uma simples discussão na entrada do Cubo D'Água ter transformou-se em "ameaça de bomba" no boca-a-boca nervoso do Parque Olímpico. A ponto de o chefe de imprensa dos Jogos ter de convocar uma entrevista coletiva às pressas para desmentir a boataria.

"Não houve nada nesse sentido", disse Liu Shaowu, para depois revelar que a "bomba" foi só um homem barrado na porta do complexo aquático.

É sob este estado de alerta que Pequim abrirá aqueles que já são considerados os Jogos mais politizados da história.

Ao todo, 104 chefes de Estado ou representantes estarão no Ninho de Pássaro, hoje, na cerimônia. Entre eles Lula, o francês Nicolas Sarkozy e o norte-americano George W. Bush.

Este, o centralizador de boa parte da tensão. Em seu desembarque em Pequim, ontem, teve como mensagem de recepção uma contundente resposta às suas críticas da véspera ao governo chinês. "Não permitimos que ninguém interfira na nossa política", disse o ministério das Relações Exteriores da China, em nota oficial.

A cerimônia começará, ainda, com receio das autoridades chinesas por protestos por parte do público ou, pior na visão dos organizadores da Olimpíada, de atletas. Ontem, duas pequenas manifestações em Pequim foram dissolvidas pela polícia, uma delas na praça da Paz Celestial. Em Hong Kong, três ativistas americanos pró-democracia foram barrados no aeroporto --o território receberá as disputas de hipismo.

 

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