Esporte
08/08/2008 - 10h24

Bailarino chinês inspira vôlei feminino na estréia nos Jogos

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MARIANA LAJOLO
da Folha de S.Paulo, em Pequim (China)

Li Cunxin era o sexto filho de uma família de camponeses pobres da Comuna de Li, no nordeste da China. Aos 11 anos, foi escolhido pelo governo de Mao Tse-tung para ser bailarino e teve a vida se transformada. Foi obrigado a deixar a terra natal, ir a Pequim e, sozinho, passar por severos testes e repressão até se tornar um nome respeitado da dança mundial.

Os relatos da vida do garoto viraram o best-seller "Adeus, China - O Último Bailarino de Mao". Nas mãos da levantadora Carol, embalam agora o caminho da seleção de vôlei em Pequim. O time estréia neste sábado, à 1h30 (horário de Brasília), contra Argélia.

Ao ler o livro, a jogadora percebeu que as memórias de Li poderiam ser inspiração para as companheiras. E fez com que elas lessem ao menos alguns trechos da biografia.

"A história dele é um exemplo de rigidez, disciplina e superação. Comecei a ler e achei que a gente poderia tirar alguns aprendizados, aí comecei a mostrar para as meninas nas viagens no Grand Prix. Já emprestei o livro para várias e sei que muitas já compraram também", afirma Carol. O técnico José Roberto Guimarães também carrega a obra na mala.

Os trechos mais elogiados pelas jogadoras foram aqueles em que Li relata seus treinamentos na escola de dança, onde era submetido a exercícios duros demais para uma criança. Em compensação, em Pequim, pela primeira vez fez todas as refeições do dia, tomou banho quente e dormiu sozinho em uma cama.

Li se agarrou com força à chance de mudar de vida e melhorar a condição da família.

Quando se tornou um bailarino reconhecido internacionalmente, desertou durante o curso de verão nos EUA --foi um dos poucos escolhidos para os treinos. Mais tarde, veio a se tornar o primeiro bailarino do Houston Ballet.

"Os outros garotos treinavam duas vezes por dia, e ele treinava quatro. Ele acordava às 5h30 da manhã para se dedicar. Ele queria ser o melhor, sabia que precisava ser, e se esforçou para isso", conta Carol.

A levantadora leu o livro por indicação do preparador físico José Elias. Curiosamente, o best-seller tornou-se sensação na equipe durante a disputa da mais desgastante competição do ano. No Grand Prix, a equipe passou cerca de 40 dias junta, viajando por países da Ásia.

Como o foco principal era a Olimpíada, não houve refresco nos treinos físico durante a competição. Mas as jogadoras fizeram excelentes apresentações e conquistaram o título.

"O grupo estava muito unido e consciente de que teria de se dedicar muito, que ia ser difícil, mas que era em nome de algo maior", diz a ponta Paula Pequeno. "Além do desgaste físico, ficar longe da família é muito doloroso, principalmente para as jogadoras que têm filhos, como eu. Tem que fazer valer a pena."

 

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