Irreverente, "Relâmpago Bolt" deixa Pequim como maior velocista da história
da Folha Online
Polêmico e irreverente, o jamaicano Usain Bolt deixou os Jogos Olímpicos de Pequim com um feito inédito na bagagem, além das três medalhas de ouro conquistadas no estádio Ninho de Pássaro.
Aos 22 anos, ele tornou-se o primeiro na história a vencer os 100 m rasos e os 200 m rasos com recordes mundiais nas duas provas, 9s69 e 19s30, respectivamente.
Antes, nove atletas já haviam conseguido vencer as duas provas mais rápidas do atletismo na mesma Olimpíada, mas nunca com performance tão expressiva. O último a conseguir o feito havia sido o norte-americano Carl Lewis, 24 anos antes, em Los Angeles-1984.
| Mark Baker/16.ago.2008/AP |
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| Usain Bolt (frente) comemora vitória e recorde mundial na final dos 100 m rasos |
De quebra, Bolt venceu também final do revezamento 4 x 100 m, mais uma vez com novo recorde mundial. Com Nesta Carter, Michael Frater e Asafa Powell, o time jamaicano marcou 37s10 na decisão.
Por sua performance, Bolt foi chamado pelo norte-americano Michael Johnson, de quem tomou o recorde dos 200 m, de Super-Homem.
"Não sou o Super-Homem nem o Flash Gordon. Sou Bolt, o Relâmpago Bolt [Lightning Bolt, seu apelido em inglês]", disse o atleta.
O desempenho arrebatador inclusive levantou suspeitas sobre doping. Depois do recorde mundial nos 200 m rasos, e com um mau desempenho da equipe norte-americana de atletismo, a manchete do site do jornal "The New York Times" foi: "Enquanto recordes caem, suspeitas de doping continuam".
"Tenho passado por testes tantas vezes em competição que já perdi a conta. Nós sabemos que somos bons e nós sabemos que estamos limpos. Trabalhamos muito e toda vez que quiserem nos testar, podem testar", disse Bolt.
Além destas suspeitas, o jamaicano também teve de enfrentar em Pequim as críticas por seu comportamento irreverente, principalmente nas comemorações.
Na vitória nos 100 m rasos, por exemplo, ele abriu mão de completar a prova em seu ritmo máximo quando percebeu que iria vencer e bateu no peito antes mesmo de cruzar a linha, o que gerou reclamações do presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Jacques Rogge.
"Não importa o que qualquer um pense ou comente, porque eu sei que gosto de me divertir e é assim que eu faço", disse Bolt.
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