30/06/2002
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09h54
Se fora de campo Scolari mostra que é um dos grandes treinadores do futebol brasileiro, dentro das quatro linhas a história era outra. Longe de ser considerado um jogador de talento, o zagueiro Luiz Felipe compensava sua falta de habilidade com outros atributos.
Dotado de força e vitalidade, podia ser considerado um defensor "cabeça de bagre", que abusava dos chutes para o alto. Apesar das claras limitações, compensava com ações que seriam muito apreciadas na seleção brasileira atual.
Era considerado líder de todas as equipes por que passou e foi capitão na maioria delas. Mesmo antes de encerrar sua carreira, já mostrava que tinha talento para continuar ganhando a vida com o futebol.
Foi o próprio Scolari que negociou sua transferência para o Caxias, de uma forma inusitada. Ele era o agente de um jogador que interessava ao clube gaúcho, mas nas conversas antes de acertar o negócio os dirigentes do Caxias gostaram do estilo firme do então zagueiro e também o contrataram.
Dentro de campo, podia não ser brilhante, mas suas características certamente inspiraram sua definição de jogador de defesa ideal: zagueiro que "não inventa" na saída de bola e que, quando pressionado, livra-se da bola da maneira mais simples, com chutões para frente.
Perambulando por clubes do interior gaúcho, foi obrigado, desde cedo, a procurar outra fonte de renda que não o futebol. A solução para esse problema veio com a faculdade de educação física.
Formou-se em 1974, na Escola de Educação Física do IPA (Instituto Porto Alegre), quando tinha 26 anos. A partir daí, sempre conciliou os gramados com as aulas.
Durante seis anos, foi jogador do Caxias e professor do colégio estadual Cristóvão de Mendoza. Nessa época, era obrigado deixar algumas aulas antes do final para treinar e faltava quando o time local fazia partidas em outras cidades.
Nessa função de professor-jogador, Scolari desenvolveu talento para observar o futebol fora do campo. Foi ele que descobriu um habilidoso meia, que, anos depois, iria seguir seus passos e se destacar como técnico: Adenor Bachi, o Tite, atual treinador do Grêmio.
"Lembro dele nos jogos intercolegiais, na beira do campo, com gestos intensos. Nos assustava, pois éramos garotos, mas já naquela época era uma figura muito carismática", recorda Tite, em entrevista à Folha de S.Paulo.
Saiba mais sobre: Brasil
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Dentro de campo, Scolari era um zagueiro limitado
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da Folha OnlineSe fora de campo Scolari mostra que é um dos grandes treinadores do futebol brasileiro, dentro das quatro linhas a história era outra. Longe de ser considerado um jogador de talento, o zagueiro Luiz Felipe compensava sua falta de habilidade com outros atributos.
Folha Imagem ![]() Nos anos 70, Scolari se dividia entre o futebol e as aulas |
Dotado de força e vitalidade, podia ser considerado um defensor "cabeça de bagre", que abusava dos chutes para o alto. Apesar das claras limitações, compensava com ações que seriam muito apreciadas na seleção brasileira atual.
Era considerado líder de todas as equipes por que passou e foi capitão na maioria delas. Mesmo antes de encerrar sua carreira, já mostrava que tinha talento para continuar ganhando a vida com o futebol.
Foi o próprio Scolari que negociou sua transferência para o Caxias, de uma forma inusitada. Ele era o agente de um jogador que interessava ao clube gaúcho, mas nas conversas antes de acertar o negócio os dirigentes do Caxias gostaram do estilo firme do então zagueiro e também o contrataram.
Dentro de campo, podia não ser brilhante, mas suas características certamente inspiraram sua definição de jogador de defesa ideal: zagueiro que "não inventa" na saída de bola e que, quando pressionado, livra-se da bola da maneira mais simples, com chutões para frente.
Perambulando por clubes do interior gaúcho, foi obrigado, desde cedo, a procurar outra fonte de renda que não o futebol. A solução para esse problema veio com a faculdade de educação física.
Formou-se em 1974, na Escola de Educação Física do IPA (Instituto Porto Alegre), quando tinha 26 anos. A partir daí, sempre conciliou os gramados com as aulas.
Durante seis anos, foi jogador do Caxias e professor do colégio estadual Cristóvão de Mendoza. Nessa época, era obrigado deixar algumas aulas antes do final para treinar e faltava quando o time local fazia partidas em outras cidades.
Nessa função de professor-jogador, Scolari desenvolveu talento para observar o futebol fora do campo. Foi ele que descobriu um habilidoso meia, que, anos depois, iria seguir seus passos e se destacar como técnico: Adenor Bachi, o Tite, atual treinador do Grêmio.
"Lembro dele nos jogos intercolegiais, na beira do campo, com gestos intensos. Nos assustava, pois éramos garotos, mas já naquela época era uma figura muito carismática", recorda Tite, em entrevista à Folha de S.Paulo.
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