Acusado de fraude, Castro Neves é liberado após fiança de US$ 10 milhões
da Folha Online
O piloto brasileiro Hélio Castro Neves, 33, se declarou inocente nesta sexta-feira da acusação de ter fraudado o governo dos EUA em US$ 5,55 milhões (aproximadamente R$ 10,6 milhões) em impostos. Castro Neves, que chegou algemado e com correntes nos tornozelos no tribunal em Miami, foi liberado após pagar fiança de US$ 10 milhões.
| David Adame/AP |
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| Hélio Castro Neves se declara inocente da acusação de fraude contra o governo dos EUA |
Segundo o advogado do piloto, Mark Seiden, Castro Neves, que corre na F-Indy pela equipe Penske, embarcaria ainda nesta sexta para uma corrida em Atlanta.
De acordo com Seiden, o piloto está autorizado judicialmente a fazer viagens a trabalho dentro dos Estados Unidos, mas não poderá deixar o país até o julgamento, que deve acontecer em aproximadamente três meses. Hélio, assim como sua irmã Katiucia Castro Neves (que também é ré no caso), é cidadão americano.
David Garvin, que também representa a defesa de Hélio Castro Neves, alegou inocência do piloto. "Hélio sempre fez as coisas de maneira correta e contratou contadores em que confiava. Nós acreditamos que ele não fez nada de errado e estamos ansiosos para ir ao tribunal", comentou Garvin.
Entenda o caso
Hélio Castro Neves foi processado por fraudar o governo dos EUA em US$ $ 5,55 milhões (aproximadamente R$ 10,6 milhões) em impostos. A Justiça já aceitou a denúncia. Além do piloto, Katiucia Castro Neves, sua irmã, e seu advogado, Alan Miller, também são réus. Os três serão julgados.
O piloto da Indy e a irmã ainda foram denunciados por outros seis crimes de evasão fiscal entre os anos de 1999 a 2004.
Caso sejam condenados em todas as acusações, Castro Neves, que mora em Miami desde 1997, e Katiucia, residente dos EUA desde 1999 e que trabalhava como empresária do irmão, podem pegar até 35 anos de prisão --cinco pela tentativa de fraudar o governo dos EUA e cinco para cada um dos anos de evasão de divisas.
O advogado, que foi acusado em apenas três dos seis anos de evasão fiscal, pode pegar no máximo 20 anos de prisão.
Pela denúncia, os irmãos e Miller usavam uma offshore no Panamá, chamada Seven Promotions, para receber boa parte do salário que Castro Neves recebia como piloto e driblar o fisco norte-americano.
Por três anos, Castro Neves recebeu US$ 6 milhões da Penske e de outros contratos, mas só reportou US$ 1 milhão em sua declaração de renda.
O esquema usado pelo piloto, sua irmã e o advogado desviou mais de US$ 5 milhões, em um plano que fazia a Penske depositar seu salário fora do país para não pagar taxas.
Pelas acusações da Promotoria americana, Katiucia ajudou a forjar declarações de renda falsas e transferiu dinheiro para uma conta na Suíça.
Segundo a denúncia divulgada ontem na Flórida, Castro Neves ainda teria recebido US$ 600 mil em contratos de patrocínio com a empresa brasileira de importação e exportação Coimex Internacional SA, mas só declarou U$ 50 mil.
"Usar offshores para evadir divisas é crime", afirmou Doug Shulman, agente do IRS (a Receita Federal dos EUA).
"Contribuintes, grandes ou pequenos, famosos ou não precisam saber das severas conseqüências de usar offshores, como ir para a prisão, devolver todos os impostos e serem taxados de criminosos pelo resto da vida", disse Nathan Hochman, assistente da Promotoria.
Com Associated Press e Folha de S. Paulo
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