F-1 global empolga, mas divide opiniões na categoria
TATIANA CUNHA
da Folha de S.Paulo, enviada especial
Em 1950, era uma. Na temporada que vem, serão nove. O número de etapas da F-1 disputadas longe de seu berço, a Europa, não pára de crescer. Não fosse a exclusão do Canadá do calendário de 2009, divulgado na semana passada, a categoria teria sua mais globalizada temporada em 58 anos.
Situação que pode até acontecer. A folga de quatro semanas entre julho e agosto deixou uma brecha para um eventual acerto com Montréal ou com os organizadores do GP dos EUA.
Atualmente, a lista de países com pouca identificação com a F-1 --mas mercados com grande potencial, especialmente de garantir retorno financeiro-- é grande. Malásia, Bahrein, China, Turquia, Cingapura, Emirados, Coréia do Sul, Rússia...
A Índia, mais recente integrante desse grupo, a partir de agora também já pode começar os planos para abrigar a F-1.
"Já está tudo acertado, e o GP indiano entrará no calendário de 2011", declarou Bernie Ecclestone, detentor dos direitos comerciais da categoria.
Mas, apesar de satisfeitos com a "globalização" do esporte, os dirigentes foram rápidos em mostrar seu descontentamento com a saída do Canadá. O motivo é simples. Pela primeira vez em 50 anos o maior mercado da indústria automobilística do planeta não receberá uma corrida da F-1.
"Precisamos olhar para a América do Norte de uma maneira mais estratégica", afirmou Nick Fry, da Honda, uma das líderes do mercado no continente. "Claro que é difícil levar a infra-estrutura da F-1 para apenas uma corrida em um local distante, mas temos de pensar em não só voltar para o Canadá, mas em uma segunda prova no continente."
"Os EUA são o maior e mais importante mercado da BMW, e devemos ir na direção inversa. Em vez de tirar o Canadá, deveríamos expandir nossas operações na América do Norte", fez coro Mario Theissen.
Até 2007, Montréal e Indianápolis abrigavam corridas com o intervalo de uma semana, o que facilitava a organização dos times. Com o cancelamento da prova em Indianápolis neste ano, o Canadá ficou "solto" no meio da parte européia do calendário.
"A F-1 é muito poderosa e forte e devemos trabalhar ao lado de Ecclestone para realmente mostrar o valor de usá-la como uma ferramenta de marketing", disse John Howett, da japonesa Toyota, que é proprietária da pista de Fuji.

