30/07/2002
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23h25
A pouco mais de dois meses das eleições, a superexposição do São Caetano com a chegada à final da Libertadores volta a gerar suspeitas de utilização política do clube.
Amparado pela Prefeitura de São Caetano do Sul, o time tem como entusiasta e presidente de honra o prefeito Luiz Tortorello (PTB), cujo filho, Marquinho Tortorello (PPS) concorrerá à reeleição como deputado estadual.
Opositores do grupo político dos Tortorello acusam Marquinho e seu pai de terem aproveitado a festa em comemoração aos 125 anos da cidade, organizada pela prefeitura, no último domingo, para promover a candidatura do primeiro, utilizando no evento símbolos do "Azulão".
Durante o desfile cívico que antecedeu o discurso do prefeito, foram distribuídas centenas de bandeirolas com a logomarca da campanha de Marquinho ao lado do escudo do São Caetano.
Vereadores de oposição do município afirmam que funcionários da prefeitura ajudaram na distribuição das bandeirolas. Vários veículos da administração municipal ostentavam a propaganda de Marquinho com o distintivo da equipe finalista da Libertadores.
Durante o seu discurso, o prefeito Luiz Tortorello pediu à população para ´adquirir" a bandeira do clube e colocá-la em automóveis e residências para torcer para o São Caetano.
Nesta semana, o prefeito enviou à mídia, por intermédio da Diretoria de Comunicação Social da prefeitura, um e-mail com um texto de sua autoria, intitulado "Tudo azul", em que exalta sua administração e os feitos do time que leva o nome da cidade.
"O clube é largamente utilizado pelo prefeito e pelo Marquinho. Há uma ligação estreita e promíscua entre o público e o privado", diz o vereador Horácio Neto (PT).
O parlamentar cita o fato de a prefeitura ceder gratuitamente veículos para o clube sem autorização da Câmara Municipal e ironiza o orgulho que o time tem de não atrasar salários e manter as finanças em dia. "O São Caetano não tem crise porque o dinheiro que ele utiliza é público."
O vereador Hamilton Lacerda, também do PT, declara que o terreno onde está localizada a sede do clube, obtido com a prefeitura em regime de comodato, só foi conseguido pela ligação de Tortorello com o São Caetano.
"A lei do comodato determina que terrenos públicos só podem ser cedidos a entidades de bairros. Para viabilizar o processo, eles inventaram uma tal de Sociedade de Amigos do Bairro Cerâmica", relata Lacerda.
O vereador vai além, ao afirmar que a sede "foi construída com dinheiro público".
Os parlamentares de oposição alegam ter dificuldade de coibir o que consideram ser um abuso por serem minoria na Câmara Municipal _18 dos 21 vereadores da cidade apóiam o prefeito.
No caso da cessão gratuita de veículos para o clube sem autorização da Câmara, Horácio Neto diz já ter entrado com uma representação no Ministério Público que inclui o tema, mas que o órgão tem sido lento na apuração das denúncias.
O campo onde o São Caetano manda seus jogos, o Anacleto Campanella, é da prefeitura, que promoveu recentemente uma reforma substancial no estádio para que ele pudesse abrigar jogos do Paulista e do Brasileiro.
Além disso, a administração municipal ajuda a bancar as divisões de base do clube.
O presidente do São Caetano, Nairo Ferreira, tem um cargo no primeiro escalão da prefeitura -é diretor da Deplan, órgão que corresponde à secretaria de Planejamento. "O São Caetano não mistura futebol com política. Não há nada que envolva a final da Libertadores com política", disse o dirigente, que nos últimos dias alternou sua obrigação profissional com os compromissos da grande final.
Dor-de-cotovelo
O deputado estadual Marquinho Tortorello (PPS), candidato à reeleição, afirmou que não foi o seu comitê de campanha que distribuiu as bandeirolas que unem sua propaganda política ao escudo do São Caetano.
Segundo ele, a iniciativa partiu de torcidas organizadas do clube. "Somos padrinhos de três torcidas, e foram elas que fizeram as bandeiras", afirmou Marquinho, que se afastou das funções que mantinha no São Caetano -vice-presidente de esporte amador e diretor de judô.
"Isso é dor-de-cotovelo desse povo que não tem o que fazer. Deixa esses morcegos falarem."
Procurado pela Folha de S.Paulo, que falou com sua assessoria de imprensa e com sua secretária, relatando o teor da reportagem, o prefeito de São Caetano do Sul, Luiz Tortorello, não se manifestou.
Em situações anteriores, ele alegou que a prefeitura investe no setor porque o esporte "torna as pessoas solidárias, une a cidade".
São Caetano é uma das cidades brasileiras mais bem sucedidas em esportes amadores. Tem campeões principalmente em judô e atletismo.
Saiba tudo sobre a Taça Libertadores:
Clube do ABC volta a ser ligado com política
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da Folha de S.PauloA pouco mais de dois meses das eleições, a superexposição do São Caetano com a chegada à final da Libertadores volta a gerar suspeitas de utilização política do clube.
Amparado pela Prefeitura de São Caetano do Sul, o time tem como entusiasta e presidente de honra o prefeito Luiz Tortorello (PTB), cujo filho, Marquinho Tortorello (PPS) concorrerá à reeleição como deputado estadual.
Opositores do grupo político dos Tortorello acusam Marquinho e seu pai de terem aproveitado a festa em comemoração aos 125 anos da cidade, organizada pela prefeitura, no último domingo, para promover a candidatura do primeiro, utilizando no evento símbolos do "Azulão".
Durante o desfile cívico que antecedeu o discurso do prefeito, foram distribuídas centenas de bandeirolas com a logomarca da campanha de Marquinho ao lado do escudo do São Caetano.
Vereadores de oposição do município afirmam que funcionários da prefeitura ajudaram na distribuição das bandeirolas. Vários veículos da administração municipal ostentavam a propaganda de Marquinho com o distintivo da equipe finalista da Libertadores.
Durante o seu discurso, o prefeito Luiz Tortorello pediu à população para ´adquirir" a bandeira do clube e colocá-la em automóveis e residências para torcer para o São Caetano.
Nesta semana, o prefeito enviou à mídia, por intermédio da Diretoria de Comunicação Social da prefeitura, um e-mail com um texto de sua autoria, intitulado "Tudo azul", em que exalta sua administração e os feitos do time que leva o nome da cidade.
"O clube é largamente utilizado pelo prefeito e pelo Marquinho. Há uma ligação estreita e promíscua entre o público e o privado", diz o vereador Horácio Neto (PT).
O parlamentar cita o fato de a prefeitura ceder gratuitamente veículos para o clube sem autorização da Câmara Municipal e ironiza o orgulho que o time tem de não atrasar salários e manter as finanças em dia. "O São Caetano não tem crise porque o dinheiro que ele utiliza é público."
O vereador Hamilton Lacerda, também do PT, declara que o terreno onde está localizada a sede do clube, obtido com a prefeitura em regime de comodato, só foi conseguido pela ligação de Tortorello com o São Caetano.
"A lei do comodato determina que terrenos públicos só podem ser cedidos a entidades de bairros. Para viabilizar o processo, eles inventaram uma tal de Sociedade de Amigos do Bairro Cerâmica", relata Lacerda.
O vereador vai além, ao afirmar que a sede "foi construída com dinheiro público".
Os parlamentares de oposição alegam ter dificuldade de coibir o que consideram ser um abuso por serem minoria na Câmara Municipal _18 dos 21 vereadores da cidade apóiam o prefeito.
No caso da cessão gratuita de veículos para o clube sem autorização da Câmara, Horácio Neto diz já ter entrado com uma representação no Ministério Público que inclui o tema, mas que o órgão tem sido lento na apuração das denúncias.
O campo onde o São Caetano manda seus jogos, o Anacleto Campanella, é da prefeitura, que promoveu recentemente uma reforma substancial no estádio para que ele pudesse abrigar jogos do Paulista e do Brasileiro.
Além disso, a administração municipal ajuda a bancar as divisões de base do clube.
O presidente do São Caetano, Nairo Ferreira, tem um cargo no primeiro escalão da prefeitura -é diretor da Deplan, órgão que corresponde à secretaria de Planejamento. "O São Caetano não mistura futebol com política. Não há nada que envolva a final da Libertadores com política", disse o dirigente, que nos últimos dias alternou sua obrigação profissional com os compromissos da grande final.
Dor-de-cotovelo
O deputado estadual Marquinho Tortorello (PPS), candidato à reeleição, afirmou que não foi o seu comitê de campanha que distribuiu as bandeirolas que unem sua propaganda política ao escudo do São Caetano.
Segundo ele, a iniciativa partiu de torcidas organizadas do clube. "Somos padrinhos de três torcidas, e foram elas que fizeram as bandeiras", afirmou Marquinho, que se afastou das funções que mantinha no São Caetano -vice-presidente de esporte amador e diretor de judô.
"Isso é dor-de-cotovelo desse povo que não tem o que fazer. Deixa esses morcegos falarem."
Procurado pela Folha de S.Paulo, que falou com sua assessoria de imprensa e com sua secretária, relatando o teor da reportagem, o prefeito de São Caetano do Sul, Luiz Tortorello, não se manifestou.
Em situações anteriores, ele alegou que a prefeitura investe no setor porque o esporte "torna as pessoas solidárias, une a cidade".
São Caetano é uma das cidades brasileiras mais bem sucedidas em esportes amadores. Tem campeões principalmente em judô e atletismo.
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