Esporte
30/10/2008 - 08h01

Na expectativa de chegar à F-1, Bruno lembra incentivo de Ayrton

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MARCELO FREIRE
Colaboração para a Folha Online

Na expectativa de conseguir uma vaga na F-1, Bruno Senna, 25, diz guardar poucas recordações do primeiro título mundial conquistado por seu tio, Ayrton Senna, feito que completa 20 anos nesta quinta-feira. Porém o piloto afirma considerar fundamental não só esta conquista como toda a carreira de Ayrton para sua formação como esportista.

Reprodução
Ayrton com o jovem sobrinho Bruno (esq.), a quem incentivou a correr, em Angra dos Reis
Ayrton com o jovem sobrinho Bruno (esq.), a quem incentivou a correr, em Angra dos Reis

"Eu estava em casa assistindo à corrida, sempre assistia às corridas do Ayrton na TV. Óbvio que eu tinha cinco anos, então não tenho lembranças vívidas, mas tenho memórias da ocasião", contou Bruno sobre o dia em que Ayrton venceu o GP do Japão e conquistou o Mundial-1988.

"Ele voltou para o Brasil, a gente comemorou, foi uma ocasião bem legal"

"Ele voltou para o Brasil, a gente comemorou, foi uma ocasião bem legal", continuou Bruno, que teve sua carreira no automobilismo interrompida após a morte do brasileiro, em 1994, e retomada anos depois.

"Toda a carreira do Ayrton teve uma influência muito grande na minha carreira, desde quando eu comecei a pensar em correr. O Ayrton sempre foi minha referência e acho que ele se tornar campeão mundial fez uma grande diferença em querer ser piloto."

Segundo Bruno, Ayrton fez questão de estimulá-lo a tentar a sorte no automobilismo. "Ele sempre me incentivou. Meu avô foi quem me colocou no kart de verdade, mas o Ayrton, sempre que podia, fazia o que estava dentro do poder dele para me incentivar."

23.out.04-Sergio Moraes/Reuters
Na véspera do GP Brasil-2004, Bruno pilotou a Lotus que Ayrton utilizou na temporada de 86
Na véspera do GP Brasil-2004, Bruno pilotou a Lotus que Ayrton utilizou na temporada de 86

Bruno revelou também que tio famoso utilizava "brincadeiras" para testar seu instinto. "A gente competia no jet-ski, no kart, fazia algumas brincadeiras, que, ao mesmo tempo em que eram brincadeiras, mexiam com meu lado competitivo. Isso alterou bastante a minha percepção de competição e de automobilismo", disse.

Milagre

Bruno enxerga hoje de forma diferente a supremacia que Ayrton e seu companheiro de McLaren, Alain Prost, exerceram na temporada de 1988 --ganharam 15 das 16 corridas do ano. Para o sobrinho, hoje, o "milagre" que Senna conseguiu em 88 é encarado por uma percepção mais crítica.

"É óbvio que pra mim era ótimo, eu torcia para o Ayrton e ficava contente que ele estava com o melhor carro, ganhando. Naquela época eu tinha essa visão, de que ele fazia milagre com o carro. Eu era criança e não entendia direito como as coisas eram."

"Hoje, tenho uma consciência bem diferente de como as coisas funcionam. Eu sei que, para o automobilismo em geral, não é a situação ideal ter um carro dominando. Se eu estiver na F-1, vou querer que [o nível] seja competitivo para poder disputar posições", disse.

 

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