Esporte
20/12/2008 - 09h33

São Silvestre fará teste de droga que Pequim não viu

Publicidade

ADALBERTO LEISTER FILHO
da Folha de S.Paulo

Droga não testada nos Jogos de Pequim, em agosto, o Cera (Ativador Contínuo do Receptor de Eritropoietina, na sigla em inglês) será um dos alvos do antidoping da São Silvestre.

A droga, lançada comercialmente pelo laboratório Roche em 2007, estimula a produção de glóbulos vermelhos, melhorando a oxigenação no sangue.

Na medicina, a substância é utilizada para o tratamento de anemia em pacientes com insuficiência renal crônica. No esporte, passou a ser flagrada a partir da Volta da França de ciclismo, realizada em julho.

"Vamos enviar os testes [da São Silvestre] para Montréal, que já conta com essa tecnologia [de detecção do Cera]", conta Rafael Trindade, coordenador médico da Anad (Agência Nacional Antidoping), responsável pelos testes na prova.

De acordo com ele, as amostras não seguirão para o Ladetec, no Rio, único laboratório do país credenciado pela Wada (Agência Mundial Antidoping), porque o local estará em recesso até o início de janeiro.

O Ladetec possui, desde o ano passado, tecnologia para detectar a EPO (eritropoietina), da qual o Cera é derivada. "Eles implantaram essa análise para o Pan do Rio [em julho de 2007], mas nunca encontraram nenhum caso", diz Trindade.

Para obter status de prova de rua internacional, a São Silvestre necessita, entre outras obrigações, realizar ao menos oito exames antidoping. A regra é estabelecida pela Iaaf (entidade que comanda o atletismo).

"Mas ainda não definimos o número total de testes que serão feitos. É possível que sejam mais, se a CBAt [Confederação Brasileira de Atletismo] achar necessário", diz Thomaz Mattos de Paiva, presidente da Anad, que é vinculada à CBAt.

Sem tecnologia disponível no Centro de Controle de Doping da China, os Jogos de Pequim não fizeram testes para o Cera.

A ausência de análise para a nova droga obrigou o Comitê Olímpico Internacional a promover o primeiro recall de antidoping --as amostras são armazenadas por oito anos.

Para encontrar possíveis fraudadores da última Olimpíada, encerrada em agosto, haverá 400 novos testes de sangue no Laboratório Suíço de Análise de Doping, em Lausanne. Outras cem amostras de urina passarão por reavaliação no Instituto de Bioquímica de Colônia, na Alemanha. Além do Cera, uma nova espécie de insulina também é alvo do COI.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca