Aplausos acompanham Vanderlei na corrida de despedida
GIULLIANA BIANCONI
MARIANA BASTOS
RENAN CACIOLI
da Folha de S.Paulo
A mais de seis minutos de um lugar no pódio, mas exibindo sorriso digno de campeão e fazendo o "aviãozinho" que se tornou marca registrada em suas comemorações, o fundista Vanderlei Cordeiro de Lima, 39, agora já aposentado, cruzou, pela 12ª vez, a linha de chegada da São Silvestre na quarta-feira.
O cronômetro marcava 52min12s, tempo bem mais baixo do que ele havia previsto para completar os 15 km de prova, já que estimava alcançar a altura do número 900 da avenida Paulista em 55 minutos.
A despedida das competições como atleta profissional também foi como ele havia imaginado: festa em todo o percurso. Aplausos efusivos do público acompanharam o fundista ao longo das vias de São Paulo. Vanderlei retribuía, acenando e desenhando corações no ar.
Selou a saída da avenida onde promete retornar para disputar a prova como atleta amador com um beijo no asfalto. "Estou muito feliz, é muito bom sair pela porta da frente", declarou emocionado.
Era essa "confraternização", segundo ele, o seu grande objetivo na 84ª edição da São Silvestre, pois, após três meses sem treinar devido a uma inflamação no púbis, voltou à ativa há apenas quatro semanas.
"Foi uma corrida tão descontraída que eu mesmo me surpreendi com o tempo que fiz. Não estava buscando marcas, mas estava em um momento tão bom que realmente superei minhas expectativas", disse.
O medalhista de bronze na maratona da Olimpíada de Atenas-2004, onde foi vítima do ex-padre irlandês que o tirou da liderança da prova e enterrou suas chances de um ouro, afirmou já encarar o tempo de outra forma.
Nada de relógio pressionando, de cobranças pela melhor performance, de contar os dias para poder treinar forte após uma lesão. Tudo isso ficou apenas na lembrança.
"Um ciclo foi encerrado. Agora quero curtir esse esporte de uma forma muito mais tranquila", afirmou o atleta, que promete repassar sua experiência aos mais novos.
O descompromisso com o pódio ele já havia assumido antes da sua última prova. Avisara que correria somente para completá-la. Ficou com o 102º lugar na competição.
Seu melhor resultado na São Silvestre foi conquistado em 1996, quando ficou com a terceira colocação. O pior havia sido em 2005, ano em que encerrou o percurso em 14º lugar.

