Em baixa, basquete brasileiro festeja 50 anos do seu 1º Mundial
RAFAEL REIS
da Folha Online
Com uma seleção desvalorizada e um campeonato de clubes ainda engatinhando na tentativa de achar uma fórmula de sucesso, o basquete brasileiro comemora neste sábado exatos 50 anos do seu primeiro título mundial.
No dia 31 de janeiro de 1959, a seleção brasileira conquistou uma des suas maiores glórias na história, ao vencer a terceira edição do Campeonato Mundial, disputada no Chile, ao derrotar os donos da casa na decisão por 73 a 49. Quem conta os detalhes desta conquista, no vídeo a seguir, é o ex-jogador Amaury Pasos.
Os destaques da equipe eram Wlamir Marques, que foi o cestinha do time, com 149 pontos, e Amaury, eleito o MVP (jogador mais valioso) da competição. Outra estrela brasileira era o técnico Togo Renan Soares, o Kanela, dono de um estilo obstinado e ao mesmo tempo pitoresco.
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| Jogadores da seleção brasileira comemoram primeiro título mundial do país no basquete |
"Nas nossas concentrações, treinávamos em três períodos. Só dormíamos e jogávamos basquete. Fizemos dois meses de preparação para o Mundial. O Kanela tinha a particularidade de jogar com sete ou oito jogadores apenas. Os outros quatro, ele levava para a seleção porque eram do clube dele ou para fazer política, agradar a um ou outro", relembrou Amaury, hoje com 73 anos, em entrevista à Folha Online.
A equipe vencedora no Chile começou a ser formada cinco anos antes. Em 1954, o Brasil foi vice-campeão mundial, atuando em casa. A mesma base voltaria a obter o título da competição em 1963 e ficaria com a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos-1960.
"1954 é um marco no basquetebol brasileiro. Isso porque nesse campeonato [Mundial], surgiram os jogadores novos. O Wlamir, então com 17 anos, e eu, com 18, tínhamos um estilo de jogo moderno, diferente, com arremessos de 'jump shot' [no ar] e velocidade diferente da praticada até então", adicionou o melhor jogador do torneio.
A boa geração que o Brasil tinha naquele momento fez com que o título inédito não surpreendesse Amaury. O jogador, que se orgulha de ter atuado nas cinco posições possíveis, apontou que o time de Kanela chegou à competição como favorito, ao lado de Estados Unidos e União Soviética.
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| Seleção campeã mundial no Chile foi recebida pelo presidente Juscelino Kubitschek |
"Nós sabíamos que estávamos entre as três melhores, junto com Estados Unidos e União Soviética. Apenas não sabíamos em que ordem essas seleções ficariam no pódio."
Como os Estados Unidos levaram ao Chile um time com poucos destaques individuais, a equipe soviética era o único empecilho ao título brasileiro. Dentro de quadra, a URSS bateu o Brasil duas vezes e só não se sagrou campeã por um detalhe diplomático.
Aliada da China comunista, a União Soviética se recusou a enfrentar Taiwan por não reconhecê-la como país independente --a Bulgária seguiu o mesmo caminho. Mesmo com o W.O., o time europeu ainda seria campeão por ter a melhor campanha. No entanto, ele foi eliminado da competição pela atitude, dando o título ao Brasil.
"Foi gratificante. O regulamento foi aplicado e não transgredimos nenhuma norma da competição, mas não teve o mesmo sabor que teria tido se tivéssemos vencido a União Soviética. Foi um pouco frustrante", admitiu Amaury, que disse ainda que a felicidade completa só foi alcançada quatro anos depois, com o título de 1963.
"Em 1963, ganhamos de todas as equipes, vencemos Estados Unidos, Iugoslávia e União Soviética. Esse sim foi gratificante. Jogamos no Brasil, mas não teve problema de arbitragem que nos favoreceu. A equipe estava imbatível."
Homenagem
Os seis integrantes da seleção campeã em 1959 ainda vivos serão homenageados nesta sexta e sábado em uma série de eventos em Brasília. A FBBM (Federação Brasileira de Basquete Master) foi a responsável pela organização dos festejos, que ganharam o apoio posterior do Ministério do Esporte e da CBB (Confederação Brasileira de Basquete).
A CBB promete ainda realizar uma nova comemoração em agosto, durante a disputa da Copa América, torneio classificatório para o Mundial da Turquia, no próximo ano.
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