Esporte
30/01/2009 - 08h45

Em baixa, basquete brasileiro festeja 50 anos do seu 1º Mundial

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RAFAEL REIS
da Folha Online

Com uma seleção desvalorizada e um campeonato de clubes ainda engatinhando na tentativa de achar uma fórmula de sucesso, o basquete brasileiro comemora neste sábado exatos 50 anos do seu primeiro título mundial.

No dia 31 de janeiro de 1959, a seleção brasileira conquistou uma des suas maiores glórias na história, ao vencer a terceira edição do Campeonato Mundial, disputada no Chile, ao derrotar os donos da casa na decisão por 73 a 49. Quem conta os detalhes desta conquista, no vídeo a seguir, é o ex-jogador Amaury Pasos.

Basquete

Os destaques da equipe eram Wlamir Marques, que foi o cestinha do time, com 149 pontos, e Amaury, eleito o MVP (jogador mais valioso) da competição. Outra estrela brasileira era o técnico Togo Renan Soares, o Kanela, dono de um estilo obstinado e ao mesmo tempo pitoresco.

Reprodução
Jogadores da seleção brasileira comemoram primeiro título mundial do país no basquete
Jogadores da seleção brasileira comemoram primeiro título mundial do país no basquete

"Nas nossas concentrações, treinávamos em três períodos. Só dormíamos e jogávamos basquete. Fizemos dois meses de preparação para o Mundial. O Kanela tinha a particularidade de jogar com sete ou oito jogadores apenas. Os outros quatro, ele levava para a seleção porque eram do clube dele ou para fazer política, agradar a um ou outro", relembrou Amaury, hoje com 73 anos, em entrevista à Folha Online.

A equipe vencedora no Chile começou a ser formada cinco anos antes. Em 1954, o Brasil foi vice-campeão mundial, atuando em casa. A mesma base voltaria a obter o título da competição em 1963 e ficaria com a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos-1960.

"1954 é um marco no basquetebol brasileiro. Isso porque nesse campeonato [Mundial], surgiram os jogadores novos. O Wlamir, então com 17 anos, e eu, com 18, tínhamos um estilo de jogo moderno, diferente, com arremessos de 'jump shot' [no ar] e velocidade diferente da praticada até então", adicionou o melhor jogador do torneio.

A boa geração que o Brasil tinha naquele momento fez com que o título inédito não surpreendesse Amaury. O jogador, que se orgulha de ter atuado nas cinco posições possíveis, apontou que o time de Kanela chegou à competição como favorito, ao lado de Estados Unidos e União Soviética.

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Seleção campeã mundial no Chile foi recepcionada pelo presidente Juscelino Kubitschek
Seleção campeã mundial no Chile foi recebida pelo presidente Juscelino Kubitschek

"Nós sabíamos que estávamos entre as três melhores, junto com Estados Unidos e União Soviética. Apenas não sabíamos em que ordem essas seleções ficariam no pódio."

Como os Estados Unidos levaram ao Chile um time com poucos destaques individuais, a equipe soviética era o único empecilho ao título brasileiro. Dentro de quadra, a URSS bateu o Brasil duas vezes e só não se sagrou campeã por um detalhe diplomático.

Aliada da China comunista, a União Soviética se recusou a enfrentar Taiwan por não reconhecê-la como país independente --a Bulgária seguiu o mesmo caminho. Mesmo com o W.O., o time europeu ainda seria campeão por ter a melhor campanha. No entanto, ele foi eliminado da competição pela atitude, dando o título ao Brasil.

"Foi gratificante. O regulamento foi aplicado e não transgredimos nenhuma norma da competição, mas não teve o mesmo sabor que teria tido se tivéssemos vencido a União Soviética. Foi um pouco frustrante", admitiu Amaury, que disse ainda que a felicidade completa só foi alcançada quatro anos depois, com o título de 1963.

"Em 1963, ganhamos de todas as equipes, vencemos Estados Unidos, Iugoslávia e União Soviética. Esse sim foi gratificante. Jogamos no Brasil, mas não teve problema de arbitragem que nos favoreceu. A equipe estava imbatível."

Homenagem

Os seis integrantes da seleção campeã em 1959 ainda vivos serão homenageados nesta sexta e sábado em uma série de eventos em Brasília. A FBBM (Federação Brasileira de Basquete Master) foi a responsável pela organização dos festejos, que ganharam o apoio posterior do Ministério do Esporte e da CBB (Confederação Brasileira de Basquete).

A CBB promete ainda realizar uma nova comemoração em agosto, durante a disputa da Copa América, torneio classificatório para o Mundial da Turquia, no próximo ano.

 

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