Saldo do clássico vira jogo de empurra por tumulto no Morumbi
da Folha de S.Paulo
A responsabilidade por todo o tumulto que deixou pelo menos 49 torcedores feridos, após o clássico São Paulo x Corinthians domingo, transformou-se em um jogo de empurra entre as autoridades.
Em nota oficial, o Corinthians criticou o muro de concreto construído para separar as torcidas rivais no anel de circulação interna, que dava acesso à arquibancada vermelha, local destinado aos corintianos.
"A obra em execução na área da torcida visitante produziu um afunilamento de torcedores na saída, que desafia o bom senso e a prioridade que deveria ser atribuída à segurança dos clientes daquele estádio", disse o documento.
O corredor de circulação interna foi a área para a qual os corintianos correram após a suposta explosão de uma bomba caseira, que teria sido atirada do estacionamento dos diretores do São Paulo.
Com isso, policiais ficaram encurralados no corredor, cuja largura foi reduzida de oito para quatro metros após a construção do muro. Acuada, a PM jogou bombas de efeito moral para dispersar os torcedores, causando tumulto na área.
"Se não tivesse o muro, os policiais seriam acuados adiante e o confronto haveria de qualquer jeito", minimizou Hervando Velozo, tenente-coronel da Polícia Militar (PM).
Segundo tese de doutorado sobre estádios do arquiteto Carlos De La Corte, o anel de circulação superior do Morumbi comportava um fluxo de 109 pessoas por minuto quando possuía oito metros. Com a redução da largura pela metade, o fluxo caiu para 55 pessoas, o que prejudicou a circulação no momento de emergência.
A confusão ocorreu justamente no momento em que a PM controlava a saída dos cerca de quatro mil corintianos. "Qualquer novidade que você coloque na estrutura interrompe todo um fluxo natural para o qual originalmente foi pensado o estádio. Cria problemas para a circulação", disse o arquiteto Vicente de Castro Mello, que, em 2007, vistoriou o Morumbi durante um estudo conduzido pelo Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e Engenharia).
"O Juvenal Juvêncio [presidente do São Paulo] sempre diz que faltam pouquíssimas adaptações para deixar o Morumbi pronto para a Copa [de 2014] e a gente viu que não é bem assim", concluiu Castro Mello.
O São Paulo pediu autorização ao Contru (Departamento de Controle de Uso de Imóveis) para a construção do muro. Entretanto, por problemas burocráticos, o órgão ainda não concedeu a permissão. Segundo a assessoria do Contru, não há problemas se o Morumbi foi utilizado sem a autorização.
"Não sei se existe necessidade de autorização para construir um muro que facilite a entrada dos torcedores", falou Carlos Augusto de Barros e Silva, vice de futebol do São Paulo.
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