Novo ministro do Esporte diz que não vai interferir na CBF
FÁBIO VICTORda Folha de S.Paulo
Anunciado ontem pelo presidente Lula, o futuro ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, assumirá o cargo com a ambição de revolucionar o setor no país, priorizando a criação de políticas de inclusão social. Mas, entusiasta dos esportes de alto rendimento, seguirá como incentivador da área.
Co-autor da Lei Piva, que destina verbas de loterias federais aos comitês olímpico e paraolímpico, Queiroz tem forte apoio do Comitê Olímpico Brasileiro e de confederações de várias modalidades.
Deputado federal eleito para o terceiro mandato pelo PC do B-DF, um dos partidos mais críticos do governo FHC, o futuro ministro, 44 anos, afirma que irá manter o que avalia como conquistas da gestão do PSDB: a "moralização" do esporte -fiscalização sobre entidades e dirigentes- e o Código de Defesa do Torcedor.
Em entrevista exclusiva à Folha, minutos depois de conversar com Lula no início da tarde de ontem, Queiroz disse também que não caberá ao ministério interferir em confederações de direito privado como a CBF. É a mesma tese defendida por Ricardo Teixeira, o presidente da confederação, durante as CPIs que investigaram o futebol durante o governo FHC.
Médico, baiano de Itapetinga, radicado há 21 anos em Brasília, torcedor do Botafogo e do Gama (ambos na segunda divisão do Brasileiro), ex-lutador de caratê, ele pratica futebol e tênis.
Folha - Como foi a conversa com Lula?
Agnelo Queiroz - Ele fez o convite formal, eu aceitei. Ele falou que era apaixonado por esportes, tanto é que será a primeira vez na história que haverá um ministério exclusivo do setor. É um bom indicativo de que terá um tratamento especial.
Folha - Qual é a prioridade que o sr. dará à sua gestão?
Queiroz - A prioridade será a inclusão social. Queremos uma participação ativa da sociedade, dos empresários, dos clubes sociais, que somam quase 6.000 no Brasil. Faremos parcerias que ajudem o governo a levantar recursos. E trabalharemos de forma integrada com outras áreas do governo, com o Projeto Fome Zero, com a Educação, a Saúde, a Previdência Social. Vamos agregar ao jovem que hoje não tem acesso ao esporte outras políticas de governo. A partir do esporte, essa criança poderá ter acesso a várias outras políticas públicas.
Folha - Como será a estrutura da pasta? O nome mudará mesmo para ministério do Esporte e Lazer?
Queiroz - Vamos tratar disso depois. Por enquanto o nome é só Ministério do Esporte, mas vamos discutir [o PT defende Ministério do Esporte e Lazer". Sugeri ao Lula a criação de quatro grandes secretarias: a de esporte educacional, a de esporte de alto rendimento, a de inclusão social e a de participação e lazer. Ele teve simpatia pela proposta, mas vamos tratar disso com as áreas responsáveis a partir de agora.
Folha - Quais projetos já estão prontos para serem postos em prática logo no início do governo?
Queiroz - Há vários projetos, escritos ou prontos na cabeça. Como o de colocar 600 mil pessoas para nadar, gente que hoje não tem acesso a esse esporte [referindo-se ao "Projeto Brasil de Natação", que visa aproveitar as estruturas do Sesi e do Sesc".
Folha - Qual legislação orientará a política de esporte do governo?
Queiroz - O Estatuto do Desporto vai ordenar a nossa política esportiva. Espero que seja aprovado no início do ano. Em março já deve estar aprovado.
Folha - E a MP 79?
Queiroz - Daremos prosseguimento às medidas de moralização e de defesa do consumidor idealizadas pelo atual governo.
Folha - O governo vai interferir em entidades como a CBF?
Queiroz - Falo do ministério, me pergunte do ministério. Deixe que as pessoas cuidem das empresas privadas. Vou cuidar da política nacional de esportes.
Folha - Mas então não haverá fiscalização do poder público sobre clubes e confederações?
Queiroz - Há uma legislação do final desse governo que prevê fiscalização a essas entidades. Ela é interessante.
Folha - Dirigentes ligados ao futebol dizem que o sr. pode dar preferência aos esportes olímpicos...
Queiroz - Não tem nada disso. São informações completamente equivocadas. Eu sou ligado ao esporte. Na medida em que essas pessoas vão me conhecer, vão ver que não tem nada disso. Defendo o esporte como instrumento de promoção social, sem distinção de modalidades, com compromissos e seriedade.
Folha - O sr. defende o patrocínio das estatais ao esporte?
Queiroz - Claro. Só que vai haver uma política de governo em relação a isso. É fundamental, isso é promoção ao esporte.
Folha - O governo vai apoiar a realização de grandes eventos, como Pan e Olimpíada, no país?
Queiroz - Lógico. Vamos ter um política forte, deliberada e determinada a trazer grandes eventos mundiais para o Brasil, e isso já vai começar com o Pan de 2007 no Rio de Janeiro.
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