Esporte
24/12/2002 - 08h01

Novo ministro do Esporte diz que não vai interferir na CBF

FÁBIO VICTOR
da Folha de S.Paulo

Anunciado ontem pelo presidente Lula, o futuro ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, assumirá o cargo com a ambição de revolucionar o setor no país, priorizando a criação de políticas de inclusão social. Mas, entusiasta dos esportes de alto rendimento, seguirá como incentivador da área.

Co-autor da Lei Piva, que destina verbas de loterias federais aos comitês olímpico e paraolímpico, Queiroz tem forte apoio do Comitê Olímpico Brasileiro e de confederações de várias modalidades.

Deputado federal eleito para o terceiro mandato pelo PC do B-DF, um dos partidos mais críticos do governo FHC, o futuro ministro, 44 anos, afirma que irá manter o que avalia como conquistas da gestão do PSDB: a "moralização" do esporte -fiscalização sobre entidades e dirigentes- e o Código de Defesa do Torcedor.

Em entrevista exclusiva à Folha, minutos depois de conversar com Lula no início da tarde de ontem, Queiroz disse também que não caberá ao ministério interferir em confederações de direito privado como a CBF. É a mesma tese defendida por Ricardo Teixeira, o presidente da confederação, durante as CPIs que investigaram o futebol durante o governo FHC.

Médico, baiano de Itapetinga, radicado há 21 anos em Brasília, torcedor do Botafogo e do Gama (ambos na segunda divisão do Brasileiro), ex-lutador de caratê, ele pratica futebol e tênis.

Folha - Como foi a conversa com Lula?

Agnelo Queiroz -
Ele fez o convite formal, eu aceitei. Ele falou que era apaixonado por esportes, tanto é que será a primeira vez na história que haverá um ministério exclusivo do setor. É um bom indicativo de que terá um tratamento especial.

Folha - Qual é a prioridade que o sr. dará à sua gestão?

Queiroz -
A prioridade será a inclusão social. Queremos uma participação ativa da sociedade, dos empresários, dos clubes sociais, que somam quase 6.000 no Brasil. Faremos parcerias que ajudem o governo a levantar recursos. E trabalharemos de forma integrada com outras áreas do governo, com o Projeto Fome Zero, com a Educação, a Saúde, a Previdência Social. Vamos agregar ao jovem que hoje não tem acesso ao esporte outras políticas de governo. A partir do esporte, essa criança poderá ter acesso a várias outras políticas públicas.

Folha - Como será a estrutura da pasta? O nome mudará mesmo para ministério do Esporte e Lazer?

Queiroz -
Vamos tratar disso depois. Por enquanto o nome é só Ministério do Esporte, mas vamos discutir [o PT defende Ministério do Esporte e Lazer". Sugeri ao Lula a criação de quatro grandes secretarias: a de esporte educacional, a de esporte de alto rendimento, a de inclusão social e a de participação e lazer. Ele teve simpatia pela proposta, mas vamos tratar disso com as áreas responsáveis a partir de agora.

Folha - Quais projetos já estão prontos para serem postos em prática logo no início do governo?

Queiroz -
Há vários projetos, escritos ou prontos na cabeça. Como o de colocar 600 mil pessoas para nadar, gente que hoje não tem acesso a esse esporte [referindo-se ao "Projeto Brasil de Natação", que visa aproveitar as estruturas do Sesi e do Sesc".

Folha - Qual legislação orientará a política de esporte do governo?

Queiroz -
O Estatuto do Desporto vai ordenar a nossa política esportiva. Espero que seja aprovado no início do ano. Em março já deve estar aprovado.

Folha - E a MP 79?

Queiroz -
Daremos prosseguimento às medidas de moralização e de defesa do consumidor idealizadas pelo atual governo.

Folha - O governo vai interferir em entidades como a CBF?

Queiroz -
Falo do ministério, me pergunte do ministério. Deixe que as pessoas cuidem das empresas privadas. Vou cuidar da política nacional de esportes.

Folha - Mas então não haverá fiscalização do poder público sobre clubes e confederações?

Queiroz -
Há uma legislação do final desse governo que prevê fiscalização a essas entidades. Ela é interessante.

Folha - Dirigentes ligados ao futebol dizem que o sr. pode dar preferência aos esportes olímpicos...

Queiroz -
Não tem nada disso. São informações completamente equivocadas. Eu sou ligado ao esporte. Na medida em que essas pessoas vão me conhecer, vão ver que não tem nada disso. Defendo o esporte como instrumento de promoção social, sem distinção de modalidades, com compromissos e seriedade.

Folha - O sr. defende o patrocínio das estatais ao esporte?

Queiroz -
Claro. Só que vai haver uma política de governo em relação a isso. É fundamental, isso é promoção ao esporte.

Folha - O governo vai apoiar a realização de grandes eventos, como Pan e Olimpíada, no país?

Queiroz -
Lógico. Vamos ter um política forte, deliberada e determinada a trazer grandes eventos mundiais para o Brasil, e isso já vai começar com o Pan de 2007 no Rio de Janeiro.

Leia também:

  • Queiroz tem bom trânsito entre a cúpula esportiva
  • Lei de incentivo fiscal vira meta do novo ministro
     
  • FolhaShop

    Digite produto
    ou marca