Decisivo, clássico vira questão de honra para São Paulo e Corinthians
PAULO GALDIERI
TONI ASSIS
da Folha de S.Paulo
Um clássico normalmente já carrega consigo o peso de ser a disputa entre dois históricos rivais. Numa fase decisiva de um campeonato, ganha um componente extra de interesse. Mas um encontro entre arqui-inimigos com tudo isso e em que ainda há em jogo a honra dos dois recebe um grau de importância e rivalidade que ultrapassa os limites tradicionais de um duelo como este.
Pois esse é o valor do São Paulo x Corinthians deste domingo, às 16h, no Morumbi. A vaga na final do Campeonato Paulista representa muito tanto para os mandantes tricolores como para os visitantes alvinegros.
Por motivos e caminhos diferentes, ambos os times colocam na conquista do Estadual um peso maior do que simplesmente erguer mais uma vez um troféu cuja relevância já não é a mesma de outros tempos.
Para o São Paulo, vencer por qualquer diferença de gols vale não só para manter as chances de celebrar seu primeiro Estadual em quatro temporadas. No Morumbi, o 21º título paulista é encarado como a melhor afronta possível ao maior desafeto do clube atualmente, Marco Polo Del Nero.
A estratégia expressa um pensamento que tomou conta da cúpula são-paulina.
Juvenal Juvêncio e sua diretoria, rompidos com o presidente da federação desde o episódio Madonna, na rodada final do Brasileiro de 2008, passaram a acreditar que a melhor forma de afrontar o inimigo é vencer a disputa organizada pela FPF, em vez de ignorá-la.
Depois de desdenhar a disputa local com o discurso de que a prioridade é a Libertadores, nesta última semana o clube deu provas de que isso se inverteu, pelo menos temporariamente. Escalou reservas contra o Independiente, na Colômbia, para poupar seus principais atletas para o duelo de amanhã --expediente muito usado por Muricy Ramalho no começo do Paulista, mas com os reservas atuando pelo Estadual.
Para o Corinthians, erguer a taça que não leva para o Parque São Jorge desde 2003 também é uma forma de "limpar'' seu nome depois de seu retorno à elite do futebol nacional antes de alcançar objetivos maiores, como uma vaga na Libertadores-2010 (ano do centenário do clube), de preferência via conquista da Copa do Brasil.
Os corintianos encaram o Paulista como forma de quebrar a seca de títulos de elite, que já entra na quarta temporada. Além disso, obter um lugar na decisão passando pelo rival tem um sabor especial. Primeiro, por deixar para trás o atual tricampeão brasileiro. Depois, por todas as rusgas entre as duas diretorias desde o encontro na primeira fase.
Se conseguir fazer isso, o Corinthians roubará do São Paulo a Taça dos Invictos. Com um empate ou vitória amanhã à tarde, chega a 21 jogos invicto e bate a marca de invencibilidade dos são-paulinos de 2005.
SÃO PAULO
Bosco; Renato Silva, Miranda e Rodrigo; Joílson, Jean, Hernanes, Jorge Wagner e Júnior César; Borges e Washington
Técnico: Muricy Ramalho
CORINTHIANS
Felipe; Alessandro, Chicão, William e André Santos; Cristian, Elias, Douglas (Morais) e Jorge Henrique (Fabinho); Dentinho e Ronaldo
Técnico: Mano Menezes
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo
Horário: 16h
Juiz: Wilson Luiz Seneme

