"Paredão" substitui Rogério e almeja 1ª final como titular em quatro anos
da Folha de S.Paulo
Ele gosta de pegar onda. Possui tatuagem com nome da mulher e dos filhos. Já teve cabelo comprido e atualmente joga com uma fita na cabeça. Quer mais? Já foi também alvo de polêmica: fingiu ter sido atingido com uma pilha em partida contra o Palmeiras, no Parque Antarctica, em 2007.
Esse personagem com ar despojado vai substituir o mais conhecido jogador do São Paulo, ídolo da torcida, em uma semifinal contra o Corinthians neste domingo. Ele atende por Bosco, 34 anos.
Reserva de Rogério, o goleiro que despontou no futebol pernambucano e chegou ao clube no final de 2005 viu sua rotina mudar na última segunda-feira com a grave contusão do capitão são-paulino em um treino.
Desde a confirmação da fratura de Rogério, Bosco passou a ser o foco. E a missão de iniciar a sua era no clube não poderia ser uma fogueira mais incandescente: uma partida, contra um arquirrival, em que o São Paulo precisa da vitória para ir à decisão do Paulista.
Mas se alguém duvida do respaldo de Bosco para essa empreitada, basta ouvir o discurso do técnico Muricy Ramalho.
"O apelido do Bosco aqui é Paredão. E no futebol não tem essa de coleguismo. Se ele não fosse bom, não teria esse apelido entre os companheiros. O Bosco não ia estar no São Paulo só por ser uma boa pessoa'', afirmou o treinador.
Figurinha fácil nas comemorações de gols do time tricolor, quando sai em disparada do banco para festejar efusivamente com os companheiros, Bosco não quer agora saber de pirotecnia. Nem de bater faltas. "Não vou ser o novo Rogério. Isso é impossível. Sei que a tarefa de substituí-lo é difícil, mas estou preparado.''
Jogar como titular não é fato novo para Bosco, que nesta temporada atuou em sete das 25 partidas da equipe em 2009, inclusive no empate por 1 a 1 contra o Corinthians pela fase de classificação do Paulista.
"São Paulo e Corinthians é sempre um jogo de muita pressão. Mas essa partida ganha mais importância porque vale vaga para a final. E nós queremos muito chegar à decisão.''
Caso chegue à final, o goleiro são-paulino vai quebrar um jejum de decisões como titular. "Olha, a última vez que joguei uma decisão foi em 2005, pelo Fortaleza, no Campeonato Cearense'', relembrou.
Goleiro experiente, com passagens (e títulos) por Sport e Cruzeiro, clubes da Série A, Bosco falou da desconfiança que vai rondá-lo quando for necessário usar os pés.
"No geral, a bola é recuada quando o zagueiro está no sufoco. Não vou me omitir. Vou servir de opção. Agora, não vou fazer como o Rogério, que avança, faz lançamentos. Ele é um dos melhores do mundo nesse fundamento. Eu vou sempre simplificar'', assegurou.
Um dos jogadores mais queridos do elenco, Bosco ganhou ainda o apoio de Rogério para assumir a equipe a partir de agora. "O Bosco tem tudo o que um grande goleiro precisa. Experiência e técnica. Tenho certeza de que ele, assim como o time, vão ter ótimos momentos'', declarou Rogério.
SÃO PAULO
Bosco; Renato Silva, Miranda e Rodrigo; Joílson, Jean, Hernanes, Jorge Wagner e Júnior César; Borges e Washington
Técnico: Muricy Ramalho
CORINTHIANS
Felipe; Alessandro, Chicão, William e André Santos; Cristian, Elias, Douglas (Morais) e Jorge Henrique (Fabinho); Dentinho e Ronaldo
Técnico: Mano Menezes
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo
Horário: 16h
Juiz: Wilson Luiz Seneme


