Democracia corintiana acabou com a concentração nos anos 80
PAULO GALDIERI
da Folha de S.Paulo, em Curitiba
O Corinthians foi pioneiro no Brasil ao tentar extinguir a concentração.
Nos início dos anos 80, a estratégia de juntar o elenco antes das partidas desapareceu da rotina do Parque São Jorge. Era a época do movimento batizado de Democracia Corintiana.
Este período, considerado como um marco nas relações entre jogadores e clubes de futebol no país, aconteceu em 1981, e tinha como líderes jogadores como Sócrates, Casagrande e Wladimir.
Pelo Corinthians, respondia o diretor de futebol da equipe alvinegra na época, Adilson Monteiro Alves.
Nesse sistema, todas as decisões que diziam respeito ao time eram discutidas e votadas por todos.
Um dos principais pontos da Democracia Corintiana foi a decisão de colocar um fim às concentrações.
Os jogadores do time paulista treinavam e depois voltavam para suas casas. Só se reuniam no dia dos jogos para irem juntos ao estádio.
Segundo os críticos do movimento, o período não pode ser chamado assim.
Um deles é o atual presidente corintiano, Andres Sanchez. Para o cartola, a Democracia Corintiana foi, na verdade, um sistema imposto pelos líderes daquele grupo de jogadores que atuavam no Parque São Jorge.
"Democracia de um ou dois não é uma democracia. Democracia é poder falar o que pensa, como o Ronaldo acabou de fazer", disse ontem, em Curitiba, o dirigente, que classificou aquele período no clube como "uma bagunça".
Mesmo dentro daquele grupo de atletas de 1981 havia descontentes com o regime adotado na época.
O mais famoso deles era o goleiro Leão, desafeto dos líderes do movimento.
Inovadora, a Democracia, no entanto, não resultou em muitos títulos. O clube conquistou apenas os Paulistas de 1982 e 83.


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