Esporte
03/07/2009 - 09h53

Uefa aprova guia contra racismo nos estádios europeus

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da Folha de S.Paulo

A Uefa anunciou ontem medidas práticas que deverão ser adotadas pelos árbitros de futebol para coibir manifestações racistas nos estádios europeus.

O comitê executivo da entidade, reunido em Vilna, capital da Lituânia, declarou que o guia com três passos deverá entrar em vigor imediatamente.

Se um juiz detectar comportamentos discriminatórios durante um jogo, a primeira medida será parar o duelo e pedir, pelo sistema de som, para que a torcida cesse a manifestação.

Caso o pedido não surta efeito, o árbitro deverá então suspender a partida por um período entre cinco e dez minutos. Durante o intervalo, os jogadores terão de esperar pelo reinício da partida em seus vestiários, enquanto o alto-falante do estádio solicitará pela segunda vez o fim dos ataques racistas.

Finalmente, se os insultos continuarem, o jogo será suspenso. Os órgãos disciplinares da Uefa também poderão estabelecer multa e outras punições para o clube da torcida infratora, além de decidir pela interdição do local da partida.

"Assim como estamos fazendo com doping e corrupção no futebol, resolvemos adotar tolerância zero contra o racismo nos estádios", declarou Michel Platini, o presidente da Uefa.

Neste ano, uma série de incidentes em jogos na Europa esquentou a discussão sobre penas a torcedores protagonistas de atitudes racistas.

Em abril, a italiana Juventus foi condenada a jogar com portões fechados por insultos de seus torcedores ao ganense Mario Balotelli, atleta da também italiana Inter de Milão. Dias depois, a pena foi anulada pelo Comitê Olímpico Italiano.

Na época, o holandês Seedorf, do Milan, condenou a anulação e defendeu uma punição rigorosa aos torcedores racistas. "Escutei, várias vezes, eles cantarem 'Matem o Kaká'. Para mim, isso é muito grave", declarou o meia, referindo-se a seu ex-companheiro de equipe, hoje no Real Madrid.

Outro brasileiro na Itália, o atacante Amauri, da Juventus, também declarou ser alvo de insultos racistas nas partidas.

Em fevereiro, um torcedor do Le Havre, da França, foi preso por gritar ofensas ao ganense John Mensah, do Lyon.

 

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